As taças tilintaram em um brinde coletivo, o cristal refletindo a luz dourada dos candelabros. O clima ao redor da mesa parecia, à primeira vista, ter se acalmado. Risadas leves se misturavam ao burburinho elegante do salão, e por um instante Elizabeth acreditou que a noite poderia seguir em paz.
Após o prato principal, os convidados foram convidados a circular pelos salões laterais da mansão. Alguns seguiram para a sala de música, outros preferiram os sofás espalhados pelas muitas salas. Outras mesas de doces e os homens, o bar.
O grupo resolveu permanecer conversando, Pamela e Sebastian parecia ter se aproximado casualmente do grupo.
— Elizabeth… preciso dizer… você está deslumbrante esta noite. — seus olhos percorreram cada detalhe do vestido, demorando mais do que o necessário. — Sempre teve um dom para encantar.
Elizabeth sorriu educadamente, embora sentisse a intenção escondida sob o elogio.
— Obrigada, Pamela. Você também está muito elegante.
— Ah, mas não se compara… — Pamela suspirou, apoiando a mão no braço de Sebastian. — Eu jamais teria a mesma graça natural que você. Talvez por isso, no passado, tenha deixado que sentimentos tolos me dominassem. — ela fez uma pausa teatral, com o olhar marejado. — Mas hoje… eu só admiro você.
John estreitou os olhos, a mandíbula contraída, percebendo a encenação.
— Curioso… porque eu só vejo alguém que sabe atuar muito bem — murmurou ele, baixo, para que apenas Elizabeth e Adam escutassem.
Adam ergueu a sobrancelha, tentando disfarçar o riso, mas se conteve diante da tensão.
— John… — Sebastian interveio, a voz calma, porém firme. — Pamela apenas tenta mostrar maturidade. Não vejo por que trazer velhos ressentimentos à mesa.
— Às vezes é difícil distinguir maturidade de manipulação — retrucou John, sem tirar os olhos de Pamela.
Elizabeth pousou suavemente a mão sobre a dele, tentando apaziguar.
— Amor… não vamos transformar esta noite em algo desagradável.
Pamela inclinou a cabeça, quase angelical, mas seus olhos permaneceram cravados em Elizabeth.
— Você tem muita sorte, Elizabeth. John sempre foi um homem… intenso. Imagino que ao lado dele cada dia seja uma nova descoberta.
O comentário fez Sophia se mexer desconfortável, e Marion rapidamente entrou na conversa, sorrindo:
— E cada casamento tem seu ritmo, Pamela. O importante é o respeito e a parceria, não é mesmo, querida?
— Exatamente! — acrescentou Sara, firme. — E não tenho dúvida de que John e Elizabeth são o reflexo disso.
Marcus, descontraído, ergueu a taça:
— Vamos falar de coisas mais agradáveis. John, ainda planeja aquela viagem com as crianças no verão?
John respirou fundo, aproveitando a deixa para afastar o assunto.
— Sim. Já está nos planos. Eles estão animadíssimos.
Elizabeth sorriu, o semblante suavizado pela lembrança dos filhos.
— Mary já fala disso todos os dias…
*****
Enquanto o grupo retomava a leveza, Pamela permaneceu em silêncio, mas seus olhos fixos em Elizabeth revelavam que, por trás da máscara doce, a obsessão permanecia viva, latejante, pronta para ressurgir a qualquer instante.
Sebastian e Pamela tinham que dar atenção a outros convidados e com um polido “com licença” deixou o grupo.
— Graças a Deus. — Disse Adam sem esconder o alívio.
Logo depois o grupo dispersou um pouco, Daniel e Sophia junto com Marcus e Marion foram para a pista de dança, enquanto Sara foi conversar com uma amiga da faculdade que não via a muito tempo e John e Adam foram para o bar. Elizabeth aproveitou para ir ao banheiro e depois buscou um pouco de ar fresco, dirigiu-se ao jardim iluminado por pequenas lanternas de vidro, que projetavam pontos dourados sobre a vegetação bem cuidada.
Ela mal havia respirado fundo quando uma voz suave soou atrás dela:
— O ar aqui fora é mesmo revigorante, não acha?
Elizabeth se virou e encontrou Pamela que parecia brilhar sob a luz das lanternas. O sorriso dela era polido, mas os olhos… havia algo de inquietante naquela intensidade.
— Pamela… — Elizabeth respondeu, educada, mas com um tom de surpresa. — Não esperava companhia.
Pamela caminhou até ela com passos medidos, como se fosse parte de um ensaio.
— Eu precisava de um instante com você, só nós duas. — Sua voz carregava uma doçura estudada. — Sei que minhas palavras podem não ter soado suficientes… mas queria que entendesse: eu realmente sinto muito.
Elizabeth manteve a compostura, o semblante sereno, embora um aperto discreto lhe invadisse o peito.
— Já aceitei suas desculpas, Pamela. O passado ficou para trás.
— Para você, talvez. — Pamela aproximou-se mais um passo, baixando a voz. — Mas eu… nunca esqueci. — Ela deixou escapar uma risada curta, quase melancólica. — Você sempre foi… fascinante. Até quando eu odiava você, era impossível não admirar.
Elizabeth franziu levemente a testa, desconfortável.
— Pamela, espero que não esteja tentando reacender velhas mágoas.
— Não, de forma alguma. — Ela tocou levemente o braço de Elizabeth, gesto que parecia amistoso, mas tinha uma intensidade estranha. — Quero apenas… uma segunda chance. Uma amizade verdadeira, como se o passado nunca tivesse existido.
— A amizade verdadeira é como o vinho, melhora com o tempo. — disse Sophia, deixando um sorriso terno no ar.
Já Marcus, em tom descontraído, comentou:
— No fim das contas, o jantar não foi tão mortal quanto parecia, não é? — e piscou para John, arrancando dele um meio sorriso.
John e Elizabeth foram conduzidos até a porta pelos anfitriões. Sebastian manteve o tom diplomático:
— Walker, espero que possamos discutir em breve nossas próximas estratégias.
— Os negócios seguem seu curso. — respondeu John, a voz firme. — Mas deixemos claro: a minha família não é pauta de negociação.
Sebastian inclinou a cabeça em sinal de respeito, mas Pamela se adiantou, tocando levemente a mão de Elizabeth.
— Foi realmente especial revê-la… espero que possamos nos encontrar em breve, só nós duas. Há tanto que gostaria de conversar.
Elizabeth, mantendo a educação, apenas sorriu com suavidade.
— Veremos, Pamela.
John, no entanto, envolveu a esposa pelo braço e encerrou a despedida com um simples aceno, conduzindo-a até o carro onde o motorista os esperava.
Quando as portas do automóvel se fecharam, Elizabeth recostou-se no banco, soltando um suspiro.
— Que noite…
John manteve os olhos fixos à frente, a expressão cerrada.
— Nunca mais quero ver você tão perto dela.
Elizabeth o olhou de lado, surpresa pela dureza do tom.
— John… ela parecia sincera. Mudada. Talvez realmente tenha amadurecido.
Ele virou-se ligeiramente, os olhos intensos na penumbra do carro.
— Pamela não mudou. Eu vi nos olhos dela. Não era arrependimento… era outra coisa. — Ele apertou levemente a mão de Elizabeth. — E não vou permitir que isso te atinja novamente.
O carro partiu pela estrada iluminada, enquanto a mansão Hamilton ficava para trás, envolta em luzes cintilantes e em sombras ainda mais densas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amargo Contrato de Casamento
Olá, quero deixar aqui meus sinceros parabéns por essa linda história, eu amei. Que Deus abençoe vc e toda a sua família...
História linda e emocionante como a fé e o amor são capazes de transformar vidas....
Maravilho...