Rubi
Os dias passaram voando.
Dias de preparativos, risadas, noites de amor com o Riuk, mão na barriga sentindo o bebê mexer cada vez mais forte.
Dias de paz que a gente conquistou com sangue, suor e magia.
E hoje é o dia.
Eu tô no quarto de hóspedes transformado em sala de noiva, vestida de princesa, com o coração disparado. O vestido é um sonho: renda chantilly off-white, flores de cerejeira douradas, tule que flutua como nuvem, cintura alta abraçando a barriguinha de treze semanas com tanto carinho que quase choro toda vez que olho no espelho.
Libby tá do meu lado, rainha absoluta no marfim com branco-prata, fenda subindo até a coxa, bordados de lobos e luas brilhando. Ela vira pro espelho mais uma vez, respira fundo.
“Pronta?”
“Pronta,” respondo, voz tremendo. “E apavorada.”
Ela ri, pega minha mão.
“Eu também.”
"Parece que nem somos companheiras deles, né?"
"Tudo parece um sonho, isso sim. Nunca imaginei viver isso. Achei que não era para mim."
"Mas é, e me sinto mal por não ter percebido antes o quão mal fiz a nós todos por não entender da primeira vez."
"Não foi sua culpa, Eron interferiu também... e se assim aconteceu, para chegarmos até aqui, então deu tudo certo." dou risada.
"Poderia ter sido mais rápido e sem esse bruxo se envolvendo."
"Nisso eu concordo. Poderíamos ir para o final felizes direto."
"Mas não seria assim tão fácil."
"Não, não seria."
A porta se abre.
Ravenna entra primeiro, olhos já marejados.
“Minhas meninas…”
E atrás dela… Celine.
Minha avó. Mãe da Libby. Lenda viva. Quase cem anos, mas parece que o tempo parou nos sessenta. Cabelo grisalho impecável, vestido azul-perolado longo, elegante como sempre.
Ela abre os braços.
“Que dia abençoado. Que dia glorioso e abençoado pela Deusa…”
Nós três nos abraçamos, chorando antes mesmo de falar.
Celine segura meu rosto, depois o da Libby.
“Casando a última filha e a primeira neta,” diz, voz emocionada. “Como posso ser tão abençoada?”
Eu choro mais.
“Vovó…”
Ela sorri, olhos brilhando.
"Escutem uma loba que já viu luas demais nascerem e morrerem. O casamento é bonito, sim, mas é o depois que testa a alma. Vocês vão errar. Vão brigar. Vão se ferir sem querer. Em alguns dias, vão querer se afastar. Mas nunca levem o orgulho para a cama. Nunca deixem o silêncio virar veneno. Falem, mesmo quando doer. E lembrem-se sempre: amor não é o que se sente, é o que se escolhe. Escolham um ao outro todos os dias, mesmo quando for difícil. É isso que mantém uma união de pé."
Libby aperta minha mão.
"Sim vovó. É o que vamos jurar fazer. Queremos dar certo como você e o vovô." ela acaricia meu rosto.
"O destino de vocês já foi traçado. Já foi escolhido. Então bastam seguir o coração de vocês."
“E os filhotes?” pergunto, voz tremendo.
Celine coloca a mão na minha barriga.
“Filhotes são a prova que o amor de vocês deu certo. Vão ser teimosos como os pais. Vão testar vocês. Mas vão ser a maior alegria da vida de vocês.”
Ela beija minha testa, depois a da Libby.


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