Eron
Deixo a cozinha com o coração ainda leve das risadas, mas o peso já voltando aos ombros assim que cruzo a porta dos fundos. Riuk vem logo atrás, fechando-a com cuidado pra não fazer barulho. O sol está nascendo de verdade agora, tingindo o gramado de dourado, mas o ar da manhã ainda está frio.
Caminhamos em silêncio até o galpão de treino, longe o suficiente pra ninguém dentro da casa ouvir.
Paro perto das árvores, cruzo os braços.
"Você já contou pra Libby?" Riuk pergunta direto, voz baixa.
Nego com a cabeça.
"Não tive coragem ainda. E você?"
Ele suspira, passa a mão pelo cabelo.
"Não consegui. Queria dar pelo menos um dia de paz pra ela. Mas... não tem como esconder mais, Eron. Não tem. Essa merda já é semana que vem."
Eu concordo, sentindo o peito apertar.
"Se a gente for embora semana que vem e demorar a voltar, elas vão suspeitar na hora. E se..." engulo em seco "...se a gente não voltar, elas merecem saber o porquê."
Riuk me encara firme, os olhos verdes faiscando.
"Sem chances disso acontecer."
Dou uma risada amarga, sem humor.
"Pra você, que tem magia correndo nas veias, talvez. Eu não acho que aqueles quatro vão jogar limpo, irmão. São quatro alfas experientes, com sede de sangue. Tenho que pensar em todas as possibilidades."
Ele aperta meu ombro, forte.
"Vamos voltar. Os dois. Com as cabeças deles nas mãos, se precisar. Mas vamos voltar pras nossas Lunas."
Assinto, mas o nó na garganta não desce.
"Então vamos treinar. Pelo menos isso a gente controla."
Trocamos de roupa rápido e caímos no tatame. Começamos leve, golpes, esquivas, sequências que conhecemos de cor. Depois aumenta o ritmo. Soco, chute, agarrão, queda. O suor escorre, o fôlego queima, mas a cabeça fica mais clara a cada impacto.
Estamos há quase uma hora nisso quando ouço passos leves na grama.
Libby.
Ela aparece na porta do galpão com uma bandeja: duas garrafas de água gelada e umas frutas cortadas. O vestido leve balança com a brisa, o cabelo solto, os olhos preocupados demais pra disfarçar.
Riuk limpa o suor da testa, pega uma garrafa.
"Obrigado, cunhada. Vou... ver como a Rubi está, depois voltamos para o treino." Ele me dá um olhar rápido, agora ou nunca e entra em casa.
Libby coloca a bandeja numa mesa lateral e cruza os braços.
"Eron."
Eu me aproximo, tentando puxá-la pra mim, precisando do cheiro dela pra me acalmar.
Mas ela é mais rápida. Dá um passo pro lado, mantendo distância.


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