Riuk
O corredor do hospital parece infinito.
O cheiro de antisséptico queima o nariz, misturado com o sangue seco nas nossas roupas. Estou sentado numa cadeira dura, Rubi ao meu lado, a mão dela na minha coxa, apertando de leve toda vez que eu inspiro fundo demais. Ela não fala muito, só fica ali, sendo minha âncora. Do outro lado, minha mãe, está encolhida numa cadeira, o rosto enterrado nas mãos, os ombros tremendo. Rubi se levanta de vez em quando, vai até ela, acaricia as costas, sussurra coisas que eu não ouço, mas que fazem mamãe erguer a cabeça por um segundo.
Libby está colada no Eron, os dois quietos, olhos fixos na porta da sala de cirurgia. O resto da família, Ben, Jordan, Celine, Ravenna, forma um semicírculo silencioso. Ninguém come, ninguém bebe. Só esperamos.
Eu não consigo parar de rever a cena. Gregor caindo. A declaração do pai. E então ele de joelhos. Se eu tivesse sido mais rápido. Se tivesse soltado a magia antes. Se tivesse protegido melhor...
Rubi aperta minha mão mais forte, como se lesse meus pensamentos.
"Para, amor," ela sussurra baixinho, só pra mim. "Você fez tudo que podia. Mais que isso."
Eu nego com a cabeça, a culpa queimando a garganta.
Então a porta se abre.
O médico sai, máscara baixada, rosto cansado, mas não derrotado. Todos nós nos levantamos ao mesmo tempo.
"Família do Alfa Supremo Ragnar?"
Mamãe dá um passo à frente, voz tremendo: "Sou eu. A companheira dele."
O médico respira fundo.
"Ele está vivo. Conseguimos estabilizar. O antídoto funcionou a tempo de neutralizar o veneno, mas... o sangramento foi excessivo. O golpe atingiu órgãos vitais. Ele vai viver, mas o estado ainda é crítico. Vai precisar de muito tempo pra se recuperar completamente. Pode haver sequelas na força lupina por meses."
O silêncio cai por um segundo.
Então mamãe solta um soluço alto, as pernas cedendo. Eu e Eron corremos pra segurá-la, um de cada lado, abraçando forte enquanto ela chora no nosso peito, choro de alívio, de medo, de tudo junto.
"Obrigada, Deusa... obrigada..." ela repete, voz quebrada. "Obrigada por não levar meu Ragnar."
Rubi vem até nós, mão na barriga, olhos marejados, e abraça mamãe por trás. Libby faz o mesmo com Eron.
Eu olho pro médico, voz rouca:
"Deixa minha mãe entrar. Por favor. A companheira sempre ajuda na recuperação. O vínculo..."
Ele assente, sem hesitar.
"Claro. Mas ela precisa vestir roupa estéril. Só ela, por enquanto."
Mamãe limpa o rosto rápido, determinada agora. "Me leva. Eu quero ficar com ele. Eu faço o que for preciso para ficar ao lado dele agora."


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