Eron
Duas semanas se passaram desde o duelo, e o mundo não parou pra esperar meu pai acordar.
Eu estou na sala do conselho da mansão suprema, a mesma mesa antiga onde Ragnar sempre sentou na cabeceira. Hoje eu estou no lugar dele. O peso da cadeira parece me afundar no chão.
Os anciãos estão ao redor, junto com os ministros do conselho que ajudam meu pai nas tomadas de decisão. Rostos sérios, olhos cansados. O ar cheira a tensão e café frio.
O mais velho é o primeiro a falar, voz grave como sempre.
"Eron, o Supremo ainda não acordou. As terras confiscadas dos traidores estão sem comando. Relatos chegam todo dia: invasões nas fronteiras, moradores irritados, matilhas menores questionando a decisão. Lobos que eram leais a Gregor estão se reunindo. Dizem que foi injustiça. Que vai ter retaliação."
Eu aperto os punhos embaixo da mesa.
"Meu pai vai acordar. Ele é forte. Só precisa de mais tempo."
Outro suspira, balançando a cabeça.
"Não podemos mais esperar. Se Ragnar não acordar em três dias, a aliança precisa de um Alfa Supremo oficial. Você. Foi pra isso que ele te treinou a vida toda."
Eu rosno baixo, batendo a mão na mesa com força. A madeira treme.
"Não. Ainda é cedo. Três dias? Vocês estão loucos? Ele tá vivo. Tá lutando. Não vou aceitar isso. A gente resolve as terras. Manda betas leais. Reforça fronteiras. Eu dou um jeito nisso, mas não precisamos acelerar a volta do meu pai. Ele precisa de tempo para se recuperar."
O ancião me encara firme.
"Estamos prestes a um ataque coordenado, Eron. Lobos que acham que o duelo foi desleal. Que é hora de mudar. De ter um Supremo novo. Não de nome, mas de verdade. Não podemos ficar sem liderança plena. Fora que eles já sabem sobre Riuk e a magia, e estão questionando se vocês estão mesmo do lado deles, ou usando isso como trunfo para se sobrepor. Isso pode ser crucial para a sobrevivência de vocês no trono."
Eu me levanto, a cadeira caindo pra trás.
"Deixe que eu mesmo vou até lá resolver isso. Eu dou minha palavra. Mas não vou tomar o lugar do meu pai enquanto ele respira. Vamos provar para todos a nossa lealdade com os lobos. Inclusive Riuk."
O conselho troca olhares. E então assentem, relutantes.
"Três dias. Nem um a mais."
Saio da sala batendo a porta. O corredor parece apertar meu peito. Furioso. Apavorado. Meu pai tem que acordar. Tem que...
Encontro Riuk no jardim dos fundos, ele andando de um lado pro outro, celular na mão, provavelmente checando notícias das fronteiras.
"Irmão."
Ele para, olha pra mim.
"O que rolou?"
Eu respiro fundo, solto tudo.
"As terras estão sendo invadidas. Moradores das alcateias antigas de Gregor estão irritados, apavorados. Grupos se reunindo. O conselho... eles deram ultimato. Três dias. Se o pai não acordar, me impõem como Supremo definitivo."


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