Rubi
Meu coração batia como um tambor de guerra, ecoando no silêncio da mansão. Eu me sentei na beira da cama, uma mão sobre a barriga arredondada, sentindo o bebê se mexer inquieto lá dentro. Riuk havia saído há pouco mais de uma hora, depois que um mensageiro chegou ofegante com a notícia de que Eron estava em uma emboscada. "Eu volto logo, meu amor", ele havia dito, beijando minha testa com urgência. "Fique aqui, qualquer sinal de alerta, vá para o esconderijo. Nada vai te tocar." Mas algo dentro de mim gritava que isso era errado. Uma distração. Eu podia sentir o cheiro de traição no ar, como um veneno sutil se infiltrando pelas frestas das janelas.
De repente, um estrondo ensurdecedor rasgou o silêncio. A porta principal da mansão foi arrancada das dobradiças como se fosse feita de papel, voando pelos ares e se estilhaçando contra a parede oposta. Eu pulei para trás, meu coração na garganta, e um grito escapou dos meus lábios. Desci correndo para ver o que estava acontecendo, mas esse foi meu pior erro.
Os lobos guardiões reagiram instantaneamente, correndo para o hall de entrada com presas à mostra e rosnados ferozes. Eu ouvi o caos: latidos, garras arranhando o piso de mármore, e então... silêncio. Um silêncio mortal que me gelou até os ossos.
Meu instinto gritou para fugir. Eu me virei para o corredor, pensando no quarto secreto nos fundos da mansão, mas uma voz me parou no lugar. Uma voz grave, rouca, carregada de malícia que eu conhecia muito bem. "Ora, ora... não tão rápido, pequena loba."
Meu corpo inteiro tremeu. Atlas. Ele surgiu no hall, sua silhueta imponente preenchendo o espaço como uma sombra viva. Seus olhos roxos brilhavam no escuro, e um sorriso cruel curvava seus lábios. Atrás dele, o chão estava coberto de corpos, nossos lobos guardiões, imóveis em poças de sangue, seus olhos vidrados e sem vida. Alguns ainda se contorciam fracamente, mas a maioria já estava imóvel. Como ele havia feito isso? Tão rápido, tão silencioso?
Eu recuei um passo, minha mão voando para a barriga por instinto. O bebê chutou forte, como se sentisse o perigo. "O que você fez?", eu rosnei, minha voz saindo rouca. Da última vez que o enfrentei, fiquei dias sem conseguir falar, paralisada pelo seu poder sombrio. Mas agora... agora havia algo mais em jogo.
Atlas riu, um som baixo e gutural que ecoou pelas paredes. Ele deu um passo à frente, seu manto negro arrastando no chão ensanguentado. "Ah, Rubi... sempre tão dramática. Seus protetores? Apenas um pequeno contratempo. Eu poderia ter feito pior, mas onde estaria a diversão nisso?" Ele inclinou a cabeça, seus olhos se fixando na minha barriga. "Especialmente agora, com esse... presente que você carrega."
Meu estômago revirou. Ele sabia. Como? "Fique longe de mim", eu rosnei, minha loba interna despertando, as presas coçando para emergir. Mas eu me contive. Transformar agora poderia machucar o bebê.
Ele ergueu uma sobrancelha, fingindo surpresa. "Longe? Mas eu vim te buscar, minha querida. Seu companheiro não é muito esperto, não é? Uma pequena distração, um boato sobre Eron sendo atacado e ele sai correndo como um cão atrás de um osso, te deixando aqui. Sozinha. Vulnerável." Ele deu outro passo, e o ar ao redor dele pareceu se tornar mais pesado, carregado de uma energia negra que fazia minha pele formigar. "Riuk acha que pode me desafiar, mas ele é apenas uma criança brincando de rei. Eu sou o verdadeiro poder aqui."
Eu não respondi de imediato, minha mente girando. Ele estava certo sobre a distração, Riuk havia mordido a isca, e agora eu estava sozinha com esse monstro. Mas eu não era mais a garota fraca que ele capturara antes. "Você não vai me calar de novo", eu disse, minha voz ganhando força. "Riuk vai voltar. E quando ele souber que você esteve aqui..."
Atlas explodiu em gargalhadas, o som reverberando como trovão. "Voltar? Para quê? Para encontrar cinzas e ruínas? Olha, pequena loba, eu estou me cansando desse joguinho do meu irmão. Ele pensa que pode me deter com alianças patéticas e heróis caídos como Eron. Então, vamos acelerar o processo." Seus olhos se estreitaram, e ele estendeu a mão, como se me convidasse para dançar. "Me siga de boa vontade, e ninguém mais se machuca. Eu poderia até ser generoso, deixar seu precioso filhote viver. Mas dificulte as coisas... e eu derrubo esse lugar inteiro sobre sua cabeça. Imagine: a mansão desmoronando, e você... bem, você e essa criança seriam meus de qualquer jeito."


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