Rubi
O ar estava carregado de poeira e fumaça quando eu corri para o bosque atrás da mansão. Meus pulmões ardiam, as pernas tremiam, mas eu não parava. Não podia parar. Cada passo era uma promessa ao bebê: vamos sobreviver a isso. Vamos.
Atrás de mim, o mundo parecia acabar.
Eu me virei por um instante, escondida entre as árvores, e o que vi me roubou o fôlego. A mansão, estava sendo devorada por uma luz roxa violenta, pulsando como veias de veneno. Atlas estava no centro do jardim, os braços erguidos, os olhos brilhando com aquela mesma cor infernal. A energia saía dele em ondas, batendo contra as paredes como martelos invisíveis. Vidros explodiam, tijolos voavam, vigas de madeira centenárias se partiam ao meio com estrondos que faziam o chão tremer. O lado oeste desabou inteira, levantando uma nuvem de destroços que encobriu a ar.
Ele estava destruindo tudo. Só porque eu escapei.
"Você acha que pode se esconder de mim, Rubi?", a voz de Atlas ecoou pela noite, amplificada pela magia, chegando até mim como se ele estivesse sussurrando no meu ouvido. "Eu sinto seu cheiro. Sinto o medo. Sinto… ele." Uma pausa cruel. "O filhote."
Meu corpo inteiro gelou. Eu me agachei atrás de um tronco caído, uma mão na barriga, tentando controlar a respiração. O bebê se mexia inquieto, como se respondesse à ameaça. Eu sussurrei pra ele, baixinho: "Calma, meu amor. A mamãe vai nos tirar daqui."
Mas como? Atlas não era apenas forte. Ele era implacável. E agora, sombras começaram a se mexer no chão à minha frente. Formas escuras se ergueram do solo como fumaça viva, ganhando contornos, lobos feitos de energia roxa, olhos vazios, presas brilhando. Monstros. Ele criou monstros para me caçar.
Eles farejaram o ar e começaram a se mover na minha direção, silenciosos, rápidos. Eu me levantei devagar, o coração disparado. Correr de novo? Pra onde? A floresta era densa, mas ele conhecia cada canto dessas terras. Eu estava encurralada.
Um dos monstros rosnou baixo, a uns vinte metros. Outro se juntou. Três. Quatro. Eu recuei, tropeçando numa raiz, quase caindo. O pânico subia. Não sabia o que fazer. Não tinha arma, não tinha força suficiente para lutar contra isso tudo. Só tinha o instinto de proteger o bebê.
Foi quando eu ouvi.
Um rosnado grave, profundo, que fez as folhas tremerem. Não era dos monstros de Atlas. Era real. Selvagem. Furioso.
E logo em seguida, outro... mais agudo, mas igualmente letal.
Riuk. E… Eron?
Meu coração transbordou de repente, como se uma represa tivesse se rompido. Lágrimas quentes escorreram pelo meu rosto sujo de terra. "Ele chegou…", eu sussurrei, a voz falhando de alívio.
No mesmo instante, senti. Uma onda quente, familiar, envolvente, a magia de Riuk. Era como se braços invisíveis me abraçassem, percorrendo meu corpo inteiro, procurando feridas, procurando perigo. Procurando nosso filho. Eu fechei os olhos por um segundo, deixando aquela energia me preencher. "Estou bem", sussurrei de volta, mesmo sabendo que ele não podia me ouvir com palavras. "Nós estamos bem. Venha nos buscar."
O tempo pareceu parar.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apaixonada pelo Alfa Errado