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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 144

Eron

A floresta estava escura como o inferno, só a luz fraca da lua filtrando pelas copas das árvores. Cada passo era uma batalha, galhos chicoteando meu rosto, raízes tentando me derrubar, mas eu não parava. Não podia parar. Riuk pesava nos meus ombros como um tronco morto, o corpo inerte, quente de febre, sangue escorrendo devagar das feridas que eu tinha enfaixado às pressas com tiras da minha própria camisa.

Respira, seu desgraçado. Respira.

Eu falava com ele o tempo todo, voz baixa e rouca, como se ele pudesse me ouvir. Talvez pudesse. Irmãos sentem essas coisas.

"Você não pode desistir agora, Riuk. Escuta bem o que eu tô dizendo." Minha voz tremia mais do que eu queria admitir. O medo era uma coisa viva dentro de mim, pulsando a cada batida do coração. "Você tem um bebê pra cuidar, cara. Um filho. Se você morrer aqui, quem vai ensinar ele a ser forte como o pai? Eu? Eu nem sei trocar uma fralda, porra! Eu não sei cantar aquelas músicas idiotas que vocês dois inventam, nem contar histórias de matilha. Você não tem o direito de me deixar com essa responsabilidade sozinho. Você é o pai, não eu."

Uma memória veio rápida: eu com oito anos, Riuk com nove, recém-operado, quando começou a andar, depois que o Supremo o adotou. Ele era pequeno, assustado, olhos verdes enormes. Eu o levei pra caçar pela primeira vez, mostrei como rastrear um cervo. "Você é meu irmão agora", eu disse pra ele. "Ninguém toca em você." Promessa de criança, mas que eu carreguei a vida inteira.

Só quebramos isso uma vez. Quando eu menti, me casei com Rubi pra proteger ele de Atlas. Achava que estava fazendo o certo. Doeu pra caramba quando ele descobriu, mas a gente consertou. Porque irmãos de verdade consertam.

"Você me ouviu?", rosnei, ajustando o peso dele nos ombros. Minhas pernas queimavam, o peito arfava. "Você não tem o direito de morrer. Não depois de tudo. A gente acabou de virar Lycans juntos, lembra? Como sempre quisemos. Eu e você contra o mundo. Contra aquele filho da puta do Atlas. Não deixa ele ganhar, irmão. Não deixa ele nos derrotar."

O medo crescia, uma coisa fria se enroscando no meu estômago. Eu amava aquele idiota. Sempre amei. Ele era o irmão que eu escolhi proteger desde o primeiro dia. E agora ele estava quieto demais. O peito subindo e descendo fraco. O vínculo que lobos como nós sentimos, não tão forte quanto o de companheiros, mas real... estava fraco.

Eu acelerei, ignorando a dor nas costas. A cabana surgiu finalmente entre as árvores, luz fraca saindo pela porta aberta. Rubi e Libby já estavam lá fora, na entrada, como se tivessem sentido a gente chegando.

Elas abriram espaço sem dizer nada. Rubi com os olhos vermelhos de tanto chorar, mão no peito, como se sentisse dor. Libby com a postura ainda de defesa, pronta pra guerra, pronta para proteger se alguém quisesse nos atacar.

Eu entrei direto, coloquei Riuk com cuidado na cama simples da cabana. O corpo dele afundou no colchão, rosto pálido, lábios arroxeados. "Ele tá vivo", eu disse, voz firme pra não deixar o pânico transparecer. "Mas precisa de ajuda de verdade. Eu vou buscar o Toren e a equipe médica da alcateia."

Rubi se ajoelhou ao lado dele imediatamente, pegando a mão dele, beijando a testa suada, os lábios com uma ternura que doía de ver. "Acorda, meu amor… por favor, acorda. A gente tá aqui. Eu e o bebê… a gente precisa de você."

144. Os dois 1

144. Os dois 2

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