Libby
O mundo desabou num segundo.
Eu vi Eron cair de joelhos, o corpo forte que eu conhecia tão bem dobrando como se todas as forças tivessem sido sugadas. Corri até ele antes mesmo de pensar, minhas mãos segurando seu rosto suado, os olhos dele vidrados, confusos.
"Eron! Eron, olha pra mim!", minha voz saiu mais alta do que pretendia, trêmula. "O que você tá sentindo? Fala comigo, amor, por favor!"
Ele abriu a boca, mas nada saiu. Só um gemido rouco, os olhos rolando como se não conseguissem focar. Meu coração disparou, um pânico frio me invadindo. Eu o ajudei a se deitar no chão da cabana, com cuidado, a cabeça no meu colo. "Toren! Faça alguma coisa! Ajude ele, agora!"
O velho curandeiro já estava ali, praguejando baixo, checando pulso, abrindo os olhos de Eron com os dedos. Rubi estava ao lado de Riuk na cama, pálida como fantasma. O ar na cabana estava pesado, cheio de cheiro de ervas, sangue e medo.
"O que está acontecendo com ele?" questionei, e ele me olhou por meio segundo antes de voltar para Eron.
"Eu não sei, temos que ir para o hospital. Assim que a ambulância chegar, ele vai primeiro." concordei.
"Mas faça alguma coisa, ele está...fraco..." nosso laço ainda estava ligado, mas eu sentia as fibras se romperem, uma a uma.
A ambulância da matilha chegou rápido, sirene baixa pra não chamar atenção, luzes piscando na floresta. Eles colocaram Eron na maca primeiro. Ele tentou reclamar, voz fraca: "Não… Riuk primeiro… ele tá pior…"
"Riuk está estabilizado por enquanto", Toren cortou, firme. "Você é que está estranho, Eron. Temos que resolver isso agora."
Eron resmungou algo incompreensível, mas deixou eles o levarem. Eu subi na ambulância com ele, segurando sua mão o caminho todo. "Fala comigo, amor. O que você tá sentindo? Por que não me disse que estava ruim também? Você sempre faz isso, carrega tudo sozinho…"
Ele tentou responder, mas as palavras saíam embaralhadas, delirando. "Frio… queima… Riuk… não deixa ele…" Os olhos fechando, o corpo tremendo. Eu me desesperei, apertando a mão dele com mais força. "Motorista, mais rápido! Por favor, mais rápido!" voltei a olhá-lo e depois para o médico que o olhava preocupado. "Você vai ficar bem, Eron. Vai sim, meu amor."
Chegamos no hospital da matilha em tempo recorde. Eron foi levado direto pra sala de exames, luzes brancas fortes, máquinas apitando, equipe correndo. Tiraram sangue dele pra analisar. Eu vi o tubo enchendo com um líquido escuro, quase preto, nada parecido com o vermelho vivo de sempre.
"O que é isso?!", eu gritei, apontando pro tubo. "O que vocês deram pra ele na cabana?!"
Toren pegou o tubo, cheirou, franziu a testa. "O antídoto padrão… veneno com prata dissolvida. Mas isso… deve ser algo novo que Atlas misturou no sangue. Em vez de neutralizar, reagiu e piorou tudo. Estou procurando outro composto, mas nada parece funcionar."



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