Eron
Minha cabeça pesava como se alguém tivesse enchido ela de pedras. O corpo todo doía de um jeito estranho, não a dor aguda de feridas, mas uma fraqueza profunda, como se eu tivesse corrido três dias sem parar. Abri os olhos devagar, piscando várias vezes até o teto branco entrar em foco. Luzes fortes, cheiro de antisséptico, monitores apitando baixinho.
Estou no hospital da matilha?
Como caralhos eu vim parar aqui?
A última coisa que eu lembrava era correr pra buscar o Toren na cabana, depois voltar com ele… e então uma tontura do inferno. Depois disso, nada.
Tentei me apoiar nos cotovelos pra sentar e descobrir o que estava acontecendo. Eu tinha que achar meu irmão. Ele estava rui, não eu.
Uma mão firme me empurrou de volta pro travesseiro com uma força surpreendente.
"Ei, ei, ei! Fica quietinho aí, lobo teimoso!", Libby sussurrou no meu ouvido, o rosto dela aparecendo no meu campo de visão. Ela estava linda mesmo com os olhos vermelhos de quem não dormiu. "Não é hora de levantar, não."
"Libby…", minha voz saiu rouca, seca. "O que tá acontecendo? Por que eu to aqui? Cadê o Riuk?"
"Calma", ela disse, acariciando meu rosto com o polegar. "Está tudo bem agora. Mas você tem que ficar deitado. Ordens médicas."
Eu franzi a testa, tentando juntar as peças. "Eu… eu desmaiei? O que rolou?"
Ela respirou fundo, sentando na beirada da maca. "Você quase morreu, Eron. Atlas jogou uma magia de sangue em vocês dois, uma corrente que ia matar os irmãos juntos. O antídoto reagiu mal com o veneno novo dele, e você começou a convulsionar. A gente achou que… que ia te perder."
Eu senti um aperto no peito só de imaginar o pânico dela. "Merda… desculpa, amor. Eu não…"
"Shh", ela colocou o dedo nos meus lábios. "Riuk conseguiu reverter. Ele se arrastou até a sala de exames, colocou a mão em você e… limpou tudo. Uma luz azul, como se tivesse queimado o veneno por dentro. Mas ele desmaiou logo depois de novo."
Eu processei aquilo. Riuk já estava destruído da batalha, magia quase zerada… e ainda assim usou o que sobrou pra me salvar. Idiota. Idiota corajoso.
"Ele tá bem?", perguntei, já tentando me levantar de novo.
E então ouvi a voz grossa, familiar, do outro lado da cortina que dividia o quarto:
"Fica quieto e deita logo, seu burro, antes que eu levante e te prenda nessa maca com as minhas próprias mãos!"
A cortina foi puxada com um gesto dramático. Lá estava Riuk, sentado na maca ao lado, pernas penduradas, comendo um sanduíche enorme como se fosse a coisa mais normal do mundo depois de quase morrer duas vezes. Rubi estava ao lado dele, sentada numa cadeira, o rosto bem menos inchado de choro do que da última vez que eu vi. Ela até sorriu de leve ao me ver acordado.
Eu pisquei. "Você… tá comendo?"


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