Eron
Eu odeio hospitais. Odeio o cheiro, odeio as luzes brancas, odeio especialmente cadeiras de rodas e exames que duram uma eternidade.
"Eu tô ótimo, Toren. Olha só", resmunguei pela milésima vez, levantando os braços como se estivesse posando pra uma revista de fitness. "Músculos intactos, coração batendo, fome de lobo. Pode me dar alta logo."
O velho curandeiro me olhou por cima dos óculos, sem se impressionar. "Você e seu irmão quase viraram histórias duas vezes na mesma semana. Senta aí e espera eu terminar de ler esses resultados."
Riuk, do outro lado do quarto, deu uma risada baixa da maca dele. "Escuta o homem, Eron. Quanto mais rápido ele ler esse negócio, mais rápido saímos daqui."
"Então anda logo, quero ir embora."
Libby e Rubi trocaram olhares divertidos do canto do quarto. Elas já estavam acostumadas com a gente.
Depois de mais meia hora de resmungos meus e paciência infinita de Toren, ele finalmente assinou as altas.
"Vocês dois estão liberados. Mas repouso relativo por três dias. Nada de transformar, nada de brigas, nada de caçar brigas impulso. Entenderam?"
"Sim, senhor", Riuk e eu respondemos ao mesmo tempo, como dois filhotes pegos no flagra.
Saímos do quarto juntos, eu andando normalmente, graças aos deuses. Libby tentou me oferecer o braço, mas eu passei o meu ao redor da cintura dela só pra provocar.
No corredor, ela parou e olhou pros dois.
"Agora é o seguinte: a gente vai direto pra Denver. Sem desvios, sem 'resolver coisinhas'. Vamos ver os pais de vocês, acalmar todo mundo, comer comida de verdade e dormir em camas de verdade. Não dá mais pra ficar nessa loucura sem parar pra respirar. Vamos tirar esses três dias na mansão suprema."
Riuk abriu a boca pra protestar, eu vi nos olhos dele.
"Eu preciso resolver umas coisas amanhã. A mansão destruída, as runas, os aliados..."
"Não", Libby cortou, firme. Rubi apoiou com um aceno de cabeça. "Vocês vão ver a Cam e o Ragnar. Eles estão preocupados pra caramba. A mãe de vocês ligou três vezes hoje só pra saber quando vai poder conversar com vocês. Ela não acredita mais nessa desculpinha de que vocês estão muito atarefados."
Riuk suspirou, passando a mão pelo cabelo. "Tá bom. Hoje vamos pra Denver. Mas amanhã eu volto cedo pra resolver o que Atlas destruiu."
"Eu vou com você", eu disse, automático.
"Veremos então." Rubi falou e olhei para Riuk, que também estava tentando ler o que ela dizia.
As duas bufaram ao mesmo tempo, alto e sincronizado.
Libby revirou os olhos. "Três dias de repouso relativo, lembram? Vamos ver como amanhã chega."
A viagem de volta pra Denver levou umas quatro horas de estrada. Riuk dirigindo o SUV da matilha, Rubi no banco do passageiro mais dormindo do que acordada, Libby e eu atrás. Música baixa tocando, janelas entreabertas, cheiro de pinheiro entrando.
Ninguém falou muito sobre Atlas. A gente precisava desse silêncio.
uando chegamos na casa dos meus pais, a porta da frente se abriu antes mesmo de estacionarmos.
Cam, nossa mãe, saiu correndo descalça pelo gramado, o cabelo solto, olhos já marejados.
"Vocês dois! Meus meninos!", ela gritou, abraçando Riuk primeiro, depois me puxando com tanta força que quase me levantou do chão. "Eu senti que alguma coisa estava errada! Liguei, mandei mensagem, ninguém me respondia direito! Vocês querem me matar de preocupação?"



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