Atlas
A dor queimava como fogo negro nas minhas veias, um pulsar constante que me lembrava de cada segundo daquela batalha patética. Eu me arrastei até o covil improvisado, uma caverna úmida nas montanhas esquecidas, longe o suficiente pra não ser rastreado, mas perto o bastante pra sentir o cheiro da fraqueza deles. Meu corpo estava destruído, ossos rangendo a cada movimento, magia esgotada como um poço seco. Riuk. Aquele bastardo adotado. Ele me drenou sem nem saber.
Eu me joguei no chão frio, as sombras ao meu redor se contorcendo como serpentes fiéis, lambendo minhas feridas. O ar estava pesado com o cheiro de sangue e medo.
O medo dos meus próprios lobos. Eles se amontoavam no canto da caverna, olhos baixos, corpos tremendo. Idiotas. Eu os recrutei prometendo poder, prometendo o trono do Supremo, e agora olhem pra eles: um bando de covardes que não conseguiram nem segurar um casal em desvantagem.
A raiva veio como uma onda, quente e cega. “Vocês!”, eu rugi, a voz ecoando pelas paredes de pedra como trovão. “Inúteis! Eu dei uma ordem simples: distraiam Eron, peguem a cadela grávida, destruam tudo. E o que vocês fizeram? Deixaram eles escaparem! De novo! Deixaram eles se unirem e escaparem, seus idiotas”
Um dos lobos, um magrelo com olhos vidrados, ousou levantar a cabeça. “Mestre, nós tentamos… os guardas eram fortes, e Riuk chegou com Eron…”
Minha mão se moveu antes que eu pensasse. A energia roxa, fraca, mas ainda letal, explodiu do meu braço. Eu o peguei pelo pescoço, erguendo-o do chão como se fosse um trapo. “Tentaram? Tentar não é suficiente!”
Com um gesto, quebrei o braço dele. O osso estalou alto, ecoando na caverna. Ele gritou, um som agudo que me deu um prazer sádico. Eu o joguei contra a parede, o corpo dele batendo com um baque surdo, sangrando no chão. Os outros recuaram, rosnando baixo de medo, mas nenhum ousou intervir.
“Olhem pra vocês”, eu cuspi, me levantando devagar, ignorando a dor lancinante no peito. “Uma matilha de ratos. Eu os tirei das ruas, dei poder, dei propósito, e vocês me decepcionam assim? O Supremo e seus filhotes bastardos ainda respiram porque vocês são fracos!”
Outro lobo, mais corajoso ou mais idiota, murmurou: “Mestre… a magia de Riuk… ele nos surpreendeu…”
Eles se arrastaram pra fora da caverna, deixando um rastro de sangue e medo. Sozinho, eu me joguei no chão outra vez, as sombras me cobrindo como um manto. A dor pulsava, mas a raiva me mantinha vivo. Riuk achava que tinha vencido. Drevan achava que podia ajudar em segredo.
Eles não sabiam de nada.
Eu fechei os olhos, sentindo as memórias roubadas de Riuk se desenrolando na minha mente como fios de teia. Vi Drevan no esconderijo dele, murmurando feitiços. Vi o velho tolo ensinando contra-magias.
“Você é o primeiro, Drevan”, eu sussurrei pra escuridão. “Vou te encontrar. Vou te quebrar e drenar toda essa magia que você esconde de mim. E quando eu estiver forte de novo… a criança será minha.”
A caverna ecoou com minha risada quebrada. O surto tinha passado, mas a vingança só começava.

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