Riuk
O Vazio se despedaçava ao meu redor.
O chão rachava como vidro quebrado, o céu cinzento desabando em pedaços que sumiam no nada. O ar queimava nos pulmões, cheio de magia negra podre. Eu corri, pés afundando na terra que virava areia, coração martelando. Drevan… o que sobrou dele era só pó cinzento na margem do lago vermelho. Pó. Eu tentei pegar, tentei preservar com magia, mas o vento do colapso levou tudo. Não dava pra levar ele pra casa. Não dava pra dar um enterro digno.
“Desculpa, Drevan”, sussurrei, voz rouca, enquanto o portal que eu abri às pressas tremia atrás de mim. Eu pulei pra dentro no último segundo, o Vazio implodindo com um rugido que ecoou na minha alma.
Tudo que eu sabia sobre magia tinha acabado de morrer. Tudo tinha se perdido, por que Atlas descobriu de alguma forma, e conseguiu acabar com a única chance de vantagem que eu tinha contra ele.
Agora... agora eu tinha que agir. Tinha que correr para proteger os meus, mesmo que isso significasse nunca conhecer meu filho.
Eu precisava deixar um mundo livre do Atlas para ele.
Caí no hangar como sempre acontecia depois de um portal, o corpo pesado, o ar ainda carregado com o cheiro podre do Vazio. Mas daquela vez foi diferente. A parede por onde eu passei se desfez em chamas negras e cinzas que dançaram no ar como fantasmas, desaparecendo antes de tocar o chão.
Saí cambaleando para o jardim, o sol da tarde alto e cruel zombando da escuridão que carregava dentro de mim. Minhas pernas tremiam, os olhos vazios, como se parte da minha alma tivesse ficado lá, virada pó junto com Drevan.
Eu os senti antes de vê-los... a família inteira. O vínculo gritava dentro do meu peito, uma dor surda que minha boca ainda não conseguia transformar em palavras.
Rubi saiu correndo da casa antes mesmo de eu chegar à porta. Ela sentiu. Pelo vínculo, pelo amor. Correu pra mim, braços abertos, e eu a abracei forte, enterrando o rosto no pescoço dela. O cheiro dela, era a única coisa que me mantinha de pé.
“Riuk… o que aconteceu?”, ela sussurrou, voz tremendo, mãos no meu rosto. “Eu senti… uma dor… um vazio…um medo que...”


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