Riuk
O sol da tarde batia forte nas minhas costas enquanto eu e Eron saíamos da mansão suprema, o grupo de lobos leais nos seguindo como sombras silenciosas. Quinze no total, lobos experientes, batedores rápidos, cada um armado com garras, presas e a fúria que Atlas havia despertado em todos nós. Eu sentia o peso do ar, carregado de expectativa e raiva. Meu lobo rosnava baixo dentro de mim, ansioso por sangue. Por fim.
Mas uma pontada surgiu no peito, sutil, como um eco distante. O vínculo com Rubi. Eu o tinha bloqueado de propósito, como Ragnar nos ensinou em tempos de guerra: feche as portas emocionais, ou os sentimentos dela me enfraqueceriam na batalha. Mas algo vazava. Preocupação? Dor? Eu afastei. Era só ela pensando em mim, preocupada como sempre. Não podia perder o foco agora. Não quando Atlas estava tão perto de cair.
Eron caminhava ao meu lado, olhos afiados varrendo o horizonte. “O hangar tá pronto. Vamos pelo ar primeiro, depois a pé pelas montanhas. Os batedores confirmaram trilhas frescas de magia roxa na fronteira norte.”
Eu assenti, voz baixa. “Perfeito, não podemos deixar rastros. Deixei uma magia de alerta, qualquer rastro de magia perto da mansão e dos bunkers irá me alertar. Vamos deixar todos seguros enquanto destruímos Atlas. Não podemos chamar atenção.”
Eron bufou, ajustando a alça da mochila com suprimentos. “Ele sabe que vamos atrás deles. Não sugou Drevan até o fim para que ele te avisasse. Ele já espera por nós, mas temos que ter o elemento surpresa.”
"Teremos."
Nós entramos no hangar, todos já se aproximando do helicóptero. Meu pai se aproximou, nos chamando de canto.
“Filhos”, seu olhar era afiado. “Antes de irem, lembrem: Atlas não luta limpo. Ele usa sombras, ilusões, drenagem. Não se separem. E se virem o covil… não entrem sozinhos. Mande coordenadas. Eu envio reforços se precisarem, mas... se acharem que não dão conta. Voltem. Não se coloquem em perigo desnecessário, vamos nos organizar novamente e tentar outra estratégia.”
Eu segurei o ombro dele. “Pai, a gente sabe. Mas isso acaba hoje. Não vou dar chance para o Atlas se fortalecer ainda mais. Vou acabar com esse merda, hoje.”
Ragnar assentiu, olhos duros. “Eu acredito em você, mas não se esqueça de nós."
“Não vou”, eu interrompi, voz firme. “Eu volto pra eles. Volto com a paz que merecemos.”
Eron deu um tapa no braço dele. “E eu trago a cabeça do bruxo como souvenir.”
Ragnar bufou, quase um riso. “Vocês dois são impossíveis. Vão com a Deusa.”
Entramos no helicóptero, eu no banco do copiloto, Eron atrás com os lobos. O piloto decolou rápido, o chão de Denver sumindo abaixo. As montanhas se aproximavam, picos nevados escondendo segredos antigos.
No ar, eu revisei o plano com Eron via rádio interno. “Dividimos em dois grupos na aterrissagem. Você pega o lado leste com metade dos batedores, caça os líderes rebeldes que coordenam os ataques nas vilas. Eu vou pro centro, atrás do covil principal. Se eu encontrar Atlas, chamo vocês.”
Eron grunhiu. “E se for armadilha? Ele sabe que você tá vindo.”
“Então eu uso isso contra ele”, eu disse, sentindo a magia dourada pulsar nas veias. “Ele me drenou uma vez. Não vai acontecer de novo. Eu tô mais forte agora. Pelo bebê, pela Rubi… por tudo que ele tirou.”
Outra pontada no peito. Afastei de novo. Só preocupação dela. Foco, Riuk. Foco.
O helicóptero aterrissou numa clareira escondida, longe o suficiente pra não alertar sentinelas. Descemos rápido, nos transformando: presas à mostra, garras estendidas. O ar das montanhas era frio, carregado de cheiro de pinho e algo podre... magia negra.
“Formem os grupos”, eu ordenei. “Eron, leste. Eu, centro. Comunicação constante. Se virem olhos roxos, matem sem hesitar.”
Eron apertou meu ombro. “Cuidado, irmão. Não quero virar herói solo. A gente acaba com isso juntos.”
Eu assenti. “Juntos.”



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