Rubi
A dor me arrancou do sono como se alguém tivesse enfiado uma faca quente no meu ventre e girado devagar. Abri os olhos, ofegante, o teto cinzento da ala médica girando acima de mim. O ar estava gelado demais, cortante, e eu tremia inteira, os dentes batendo sem controle.
Não. Não podia ser. Eu só tinha quatro meses. Quatro meses.
"Rubi? Rubi, fala comigo!" A voz da Libby veio de algum lugar perto, assustada. Senti a mão dela no meu ombro, sacudindo. "Você tá branca como papel! O que tá sentindo?"
"L-Libby...", minha voz saiu um fiapo, rouca. "Tá doendo... aqui embaixo... como se estivesse rasgando. Por favor, me ajuda... o bebê..."
Ela arregalou os olhos e apertou o botão de emergência com força. Um alarme agudo explodiu no corredor, ecoando pelas paredes de concreto do bunker.
"Calma, amor, calma! Eu já chamei os médicos. Respira fundo, tá bem? Você é forte, vai ficar tudo bem." Mas a voz dela tremia tanto quanto as minhas mãos.
Eu me curvei na cama, as mãos apertando a barriga ainda pequena, sentindo outra onda de dor subir como uma maré cruel. Lágrimas quentes escorreram pelo meu rosto gelado.
"Libby, eu não quero perder ele... por favor, não deixa eu perder meu bebê...", sussurrei, a voz quebrando. "Ele é tudo pra mim e para o Riuk..."
"Você não vai perder ninguém!", ela respondeu firme, mas os olhos estavam marejados. "Eu prometo, Rubi. Os médicos vêm já."
A porta se escancarou com violência. Dois médicos e uma enfermeira entraram correndo, carregando maletas e aparelhos. A dra. Mara, a mais experiente, veio direto pra mim, já colocando luvas.
"O que aconteceu?", perguntou ela, voz profissional.
"Ela acordou gritando de dor abdominal intensa", Libby respondeu por mim. "Ela tá gelada, tremendo muito. Isso já era para ter melhorado não era. A gente tirou ela da câmara fria ontem!"
Mara tocou minha testa, depois o pescoço, franzindo a testa. "Hipotermia moderada. O corpo entrou em estresse extremo. A câmara foi projetada pra preservar alimentos, não pra gestante de quatro meses. O frio acelerou o colapso térmico e tá provocando contrações precoces."
"Contrações?", eu consegui perguntar, o pânico subindo como ácido. "Não... não pode ser contração, eu ainda tô no começo..."
"Calma, Rubi", Mara disse, já ligando o monitor cardíaco fetal no meu ventre. O aparelho bipou rápido, desesperado. "O bebê tá estressado, mas ainda tem batimento. Vamos estabilizar vocês dois agora."
"Façam alguma coisa!", eu implorei, agarrando o braço dela. "Injetem o que for preciso, eu não ligo pra dor, só não deixa nada acontecer com meu bebê! Por favor!"
"Estamos fazendo", ela respondeu, enquanto a enfermeira preparava uma seringa. "Relaxante uterino e aquecimento intravenoso. Vamos parar essas contrações antes que piorem."
Outra onda de dor me atingiu e eu gritei, arqueando as costas. "Riuk...", solucei sem querer. Tentei alcançar o vínculo, desesperada, estendendo minha mente pro vazio que tinha tomado o lugar dele nas últimas horas. Nada. Nem um eco. Só silêncio gelado.
A porta bateu de novo. Cam entrou como um furacão, os olhos faiscando de raiva e medo.
"Que diabos tá acontecendo aqui?", berrou ela, avançando até a cama. "Vocês vão ficar aí parados ou vão salvar ela e o bebê?"
"Tia Cam...", murmurei, estendendo a mão pra ela. Ela pegou imediatamente, apertando forte.
"Eu tô aqui, menina. Tô aqui." A voz dela saiu mais suave comigo, mas logo voltou ao tom de comando. "Mara, me explica: o que tá acontecendo com ela?"


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