Laura
Eu acordei antes do sol entender que era hora de aparecer. O quarto ainda tinha aquele cheiro quentinho de noite longa, misturado ao perfume dele e ao meu suor. Quando tentei me mexer, meu corpo protestou com um estalo doce. Uma dorzinha que não era dor, que vinha junto com uma sensação de plenitude, de inteira, como se eu tivesse sido montada peça por peça e devolvida ao mundo funcionando melhor do que antes.
Meu quadril reclamou. Minhas coxas arderam. Meu pescoço também. E eu sorri. Porque cada pedacinho lembrava de Enoch.
Eu nem tive tempo de esticar o braço. Assim que movi o lençol, o peso dele se espalhou sobre mim de novo, grande, quente, um abraço preguiçoso que me envolveu como se eu fosse travesseiro. Ele abafou meu peito com o dele e roçou o nariz no meu pescoço. Não do tipo romântico. Do tipo primitivo.
Um rosnadinho saiu dele. O segundo desde a madrugada. Uma vibração grave, quase um carinho.
Ai, céus. Eu achei fofo.
“Enoch…” murmurei, tentando levantar um pouco a cabeça.
Ele me puxou de volta sem nem abrir os olhos, a boca encontrando o ponto exato entre meu maxilar e meu ombro. Seus lábios estavam mornos, o beijo lento, preguiçoso… perigoso. Ele me encaixou debaixo dele como se eu tivesse o tamanho de uma almofada e sussurrou com a voz rouca da manhã:
“Ainda não.”
“Ainda não o quê?” perguntei, tentando manter algum tipo de consciência corporal. Meu corpo queria ceder. E ceder com entusiasmo.
“Não precisamos levantar ainda.” ele rosnou baixinho novamente e então deu uma lambida lenta no meu pescoço que quase me fez esquecer meu nome.
“Enoch… eu tenho que trabalhar.”
Ele enterrou o rosto no meu pescoço como se quisesse virar parte da minha pele.
“Hoje é quinta. Já fiquei dias fora. Eu não posso chegar atrasada.”
Ele soltou um riso grave, preguiçoso, delicioso. “Você fala isso como se eu estivesse te atrapalhando.”
“E está! Eu trabalho, ao contrário do senhor príncipe irmão-do-dono.”
Aí sim ele abriu um olho. Só um. E o brilho safado dele me derreteu.
Com um movimento que parecia fácil demais para um homem daquele tamanho, ele me virou de costas contra o colchão e beijou meu pescoço, mais forte dessa vez, a mão prendendo minha cintura com firmeza.
“Não usa esse tom comigo tão cedo. Eu posso acabar me apaixonando...”
Quente. Meu corpo inteiro ficou quente.
“Enoch…”
Ele finalmente ergueu o tronco, cabelo bagunçado, peito marcado das minhas unhas, respiração lenta de quem não tem pressa de nada.
"Não temos escolha?" neguei com a cabeça e ele encostou a boca na minha. “ Então vai.” Ele levantou, a voz mais firme. “Vai se arrumar. Eu vou fazer seu café.”
Eu pisquei, tentando entender.
“Você… o quê?”
Ele só sorriu, aquele sorriso enviesado que parecia promessa, e saiu andando para fora do quarto usando apenas uma cueca box preta que abraçava cada centímetro do perigo que ele era. O sol bateu no corpo dele pelas frestas da cortina. E, por alguns segundos, eu esqueci completamente como se respirava de forma adequada.

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