Enoch
Ela fez a pergunta… e meu mundo deu um estalo silencioso.
“Se eu aceitar ser sua companheira… o que muda?”
Abri a boca para responder, mas fechei. Não era simples. Não era algo que eu pudesse resumir em meia dúzia de palavras. Doía até tentar simplificar.
Porque para mim… tudo mudava.
Respirei fundo, empurrei o prato um pouco para longe e senti meu peito apertar daquele jeito intenso que só ela provocava.
“Pra mim…” comecei devagar, “significa que você seria minha. De verdade. Sem medo, sem dúvida. Eu poderia… construir algo. Sair da casa dos meus pais e fazer uma vida nossa. Só nossa.”
Ela piscou, surpresa.
Eu continuei.
“Eu ia poder pensar no futuro sem pisar em ovos. Me esforçar mais, trabalhar mais. Garantir que você tivesse tudo que quisesse. Você seria amada, respeitada, protegida. E eu seria seu. Pra sempre.”
Ela engoliu seco. E eu também.
Mas para ela… eu sabia que o peso era maior. Ela não era lobo. Não tinha sido criada no meio de rituais, tradições, hierarquias, pactos de sangue. Não fazia ideia do que significava ser nora do Supremo. Ou viver em Denver cercada por olhos atentos, narizes que captam tudo, presenças que nunca somem.
“Pra você…” falei com mais cuidado, “significa… abandonar o que conhece, e construir algo do zero.”
Ela me observava como se eu fosse uma fronteira que ela precisava atravessar, mas que ainda não sabia se valia a pena.
“Você teria que se mudar comigo para Denver. Virar parte da minha família. Conviver com lobos o tempo todo. Ter algumas responsabilidades na alcateia por ser… nora do Supremo.”
Ela soltou uma risadinha nervosa. Eu não sorri.
Era sério.
“É muita coisa, eu sei.” Minha voz saiu baixa. “É a sua vida inteira virando de cabeça para baixo.”
Ela pensou, pensou tanto que eu quase ouvi. E então apenas concordou, devagar, mordendo o lábio inferior.
Mas depois ergueu os olhos e soltou, firme:
“Se eu não quiser ser um lobo… não é um problema, né?”
“Não.” Respondi antes mesmo de ela terminar. Isso, ela precisava ouvir. “Nunca. Eu não vou forçar você a isso. Não é assim que funciona. É uma escolha sua. Sempre será.”
Ela soltou o ar devagar.
“Eu estou pensando. É tudo muito novo. E… eu estaria sempre em um lugar novo, com lobos que eu nem sabia que existiam. Não sei se estou pronta.”
Eu me aproximei da mesa, pousando minha mão sobre a dela. Quis dizer que ela não precisava ficar pronta agora. Que eu podia esperar. Que tinha esperado a vida toda. Mas antes que eu falasse, ela soltou outra bomba.
“E… se eu não quiser ter filhos? Você aceitaria mesmo assim?”
O mundo parou. Literalmente.


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