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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 189

Enoch

Laura saiu pela porta com cheiro de café e pressa, e o apartamento ficou grande demais sem ela.

Fiquei parado um instante, respirando fundo, tentando guardar na memória o jeito que ela me beijou antes de ir. Meio tímida, meio culpada, e totalmente minha. Mesmo que ela ainda não tivesse dito em voz alta.

Meu lobo se deitou dentro de mim, inquieto, rosnando baixo. Ele não gostava da distância emocional dela. E muito menos do assunto espinhoso que tinha surgido naquela conversa.

Filhos.

Sacudi a cabeça e decidi ocupar as mãos. Laura era organizada, mas vivia correndo, e a pia estava cheia de louça de ontem. Lavei tudo devagar, observando a rotina dela, tentando me imaginar ali. Na vida dela. No dia dela. Arrumei a cama, dobrei minha camiseta, dei uma geral no que pude. Eu queria que ela voltasse e sentisse… atenção. Que eu queria somar, não ser mais um peso.

E, claro, não queria ficar sozinho pensando.

Peguei minhas coisas e fui para a empresa. Não havia motivos para não ir e eu deveria ter pensado nisso antes. Deveria ter ido com ela assim que ela saiu.

Quando cheguei foi como estar de volta ao lugar certo. Eu gostava da rotina do escritório. Gostava de ver as pessoas criativas, correndo com os projetos, dando seu melhor. Laura estava ali no meio deles, e se surpreendeu quando me viu, mas apenas me deu um sorriso discreto e respeitei sua posição. Ela não queria que ninguém soubesse ainda sobre nós.

Fui até a sala da diretoria e bati na porta, meu irmão e minha cunhada estavam lá.

Ryuk ergueu a sobrancelha ao me ver.

“Você deveria estar de repouso.”

“Eu tô bem.” Entrei, fechei a porta e joguei o corpo no sofá. “E, sinceramente? Ficar parado só só vai me deixar louco.”

O silêncio entre os três durou menos de cinco segundos.

Ryuk cruzou os braços.

“Problemas no paraíso tão cedo?”

Rubi bateu no ombro do marido.

“Ryuk!”

“Ué, tô perguntando. Olha a cara dele. Certeza que ele e a Laura brigaram.”

Revirei os olhos.

“Não brigamos. Foi só… uma conversa tensa sobre futuro.”

Eles observaram, atentos.

Rubi inclinou a cabeça.

“Quão tensa?”

Suspirei fundo. Não queria falar, mas precisava.

“Ela não quer ter filhos.”

Rubi arregalou os olhos, chocada.

“Como assim a Laura não quer ter filhos? Enoch, isso sempre foi o sonho dela. Ela falava disso na faculdade o tempo todo. Que queria uma casa lotada por que é filha única e adorava a minha dinâmica cheia de primos.”

"Então o problema sou eu mesmo." bufei me sentindo derrotado.

“Mas entende ela também. Pra ela é uma mudança enorme entrar no nosso mundo. Deixar a vida humana. Viver entre lobos. Se tornar nora do Supremo. São muitos impactos pra alguém normal.”

“Eu sei.” Respirei fundo. “A única forma de convencê-la que nosso filho seria amado e protegido… seria mentir. Dizer que ele não sofreria. Mas sofreria.”

Ninguém negou.

E aquilo pesou mais.

Rubi disse, suave:

“Você precisa decidir se consegue viver sem isso. Ou se consegue viver com isso, mesmo que seja difícil.”

Eu encarei a mesa pensando nela. Pensando como ele.

Será que eu conseguiria abrir mão de algo que sempre imaginei?

Será que ela conseguiria entrar num mundo que não conhece?

Será que duas metades tão diferentes conseguiam mesmo construir algo inteiro?

Riuk quebrou o silêncio:

“E aí? O que você pretende fazer?”

“Eu…” Suspirei. “Ainda não sei.”

E foi a primeira vez na minha vida que admitir isso doeu mais do que qualquer ferimento.

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