Riuk
Ela sorri.
Pequeno.
Cansado.
Vulnerável.
E mesmo assim… lindo.
Eu digo que tenho orgulho dela, mas o que sinto é maior do que isso. É como se o meu lobo erguesse a cabeça, atento, reconhecendo algo que eu ainda não ouso nomear.
O rosto dela está iluminado apenas pela tela do notebook, e o reflexo do projeto dança nos olhos dela. A fachada viva, o piso cinético, tudo faz sentido, tudo tem personalidade. Tudo é muito… ela.
E quando ela olha para mim daquele jeito, como se minha opinião importasse mais do que deveria, algo dentro de mim responde.
Quente.
Instintivo.
Perigoso.
Eu me aproximo e me sento ao lado dela na cama. O perfume suave dela mistura-se ao cheiro de bandagem, água morna e um leve toque de sangue seco. Meu corpo inteiro alerta, querendo protegê-la de qualquer coisa que possa machucá-la de novo.
"Posso?" pergunto, apontando para o lápis digital.
Ela acena com a cabeça, e quando nossas mãos se tocam por um segundo… o ar parece ficar preso entre nós.
Faço duas pequenas sugestões no desenho, ajustes de circulação, pequenas otimizações de fluxo de vento para a fachada viva, nada que altere a essência. E ela observa atentamente, os olhos brilhando, os lábios entreabertos num jeito que deixa meu lobo inquieto.
"Você é incrível, sabia?" ela murmura baixo, quase sem perceber. "Sua visão para a estrutura é perfeita."
E eu sinto.
O golpe.
O impacto.
A verdade.
A vontade.
Meu lobo avança dentro de mim, não para atacar, mas para reconhecer.
Para reivindicar.
Para ficar perto.
Eu inspiro devagar, tentando conter o impulso de puxar ela para mim, de encostar minha testa na dela e pedir, ou exigir, que ela jamais saia sozinha de novo.
Mas ela está tão cansada.
As pálpebras dela começam a pesar, e o corpo relaxa ao meu lado. Ela luta contra o sono, determinada a continuar, determinada a provar algo para si mesma ou para o mundo.
“Rubi…” minha voz sai mais baixa. “Você precisa descansar.”
Ela balança a cabeça em negação, num movimento teimoso e doce.
“Só mais um pouco…”
Mas as palavras desaparecem. A cabeça dela inclina devagar para o meu ombro, e antes que eu possa dizer qualquer coisa, ela simplesmente… desliga.
Dormindo profundamente.
O corpo cedendo de exaustão.
O rosto suavizando.
Por um segundo eu fico parado, só observando.
A respiração dela.
A confiança silenciosa.
A delicadeza.



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