Riuk
Ficar parado na sala enquanto Rubi está no quarto é um exercício de autocontrole que eu não deveria ser obrigado a fazer.
Meu lobo fica inquieto, impaciente, rondando dentro de mim como se o apartamento não fosse grande o bastante.
Estou observando a decoração mínima, os detalhes que são a cara dela e de sua amiga, simples, aconchegantes, suaves, quando escuto passos.
Me viro para ver Laura voltando.
Ela aparece com a expressão de quem está se preparando para uma conversa séria. Cruzo os braços, esperando. Ela não demonstra medo. Nem desconforto. Pelo contrário, olha na minha direção como se estivesse avaliando um réu.
Ela se senta no sofá, cruza as pernas e anuncia:
“Seguinte, Riuk. Já que agora estamos em outro patamar aqui… aqui você não é mais meu chefe. Você é o cara que quer pegar a minha amiga.”
Pisco.
Um riso ameaça escapar.
Corajosa.
Gosto disso.
“É mesmo?” pergunto, só para provocá-la, mas, no fundo aprovando totalmente o que ela está fazendo. Rubi precisa de alguém que jogue limpo com ela. Que a proteja.
E Laura acabou de ganhar meu respeito.
Ela se inclina um pouco mais, os olhos semicerrados.
“Se você magoar a Rubi… se fizer ela chorar… se repetir QUALQUER merda que o seu irmão já fez…” Ela levanta o dedo indicador, ameaçador.
“…você vai se entender comigo. Eu sei invadir apartamentos no meio da noite, cortar as bolas de homem safado e sumir sem deixar rastro.”
Eu não consigo segurar.
A gargalhada explode, forte, de verdade.
“Tá bom, tá bom…” levanto as mãos em rendição, ainda rindo. “Prometo ser o mais respeitoso possível com ela. E, acredite, eu e meu irmão não temos nada em comum nisso. Pode ficar despreocupada.”
Ela continua séria. Muito séria.
O que só torna tudo mais engraçado.
“Eu estou falando sério, Riuk.” Ela respira fundo. “Eu podia estar longe dela, mas eu e a Rubi sempre conversamos sobre TUDO o que ela passou. Eu não vou deixar outro idiota destruir ela.”
A voz dela carrega dor. Raiva. Lealdade.
Eu fico sério também.
“Eu também não,” respondo. “E, se quer saber… até hoje me arrependo de não ter impedido aquele casamento. De não ter tirado ela de perto do Eron quando tive chance.”
Laura estreita os olhos.
“Então não faça o que ele fez.”
“Não vou.”
Minha voz sai baixa, firme, quase um voto.
“Mas, antes… ela precisa aceitar que eu sinto algo por ela.”
Laura me observa como se estivesse desvendando meu código genético.
Depois assente devagar.
“Você vai ter que conquistar a confiança dela. Ser da família não significa nada.”
“Eu sei.”
E eu sei mesmo.
Por Rubi, eu recomeço do zero quantas vezes for preciso.
O som suave de passos interrompe nossa conversa.
Eu viro a cabeça.
E o mundo… para.
Rubi aparece na sala.
O vestido dela termina na metade das coxas, leve, macio, abraçando o corpo dela de um jeito que faz meu sangue esquentar. O cabelo solto cai pelas costas, brilhante, pedindo minhas mãos.
Mas o que mais me atinge é o cheiro.
O meu cheiro não está mais nela.



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