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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 49

Rubi

Acordo de sobressalto, o corpo ainda latejando de tudo que ele fez comigo. O quarto está escuro, só a luz da lua entrando pela fresta da cortina. Riuk dorme de bruços, um braço jogado sobre minha cintura como se tivesse medo de eu sumir enquanto ele dormia. O rosto dele está relaxado, quase menino. A boca entreaberta, o cabelo bagunçado caindo na testa. Lindo demais.

Essa tranquilidade é algo raro de se ver nele, mas aqui, assim, parece que é forma como ele deveria ser sempre.

Olho pra ele e a pergunta me atravessa como faca: Como eu não vi você? Como eu passei anos olhando pro irmão errado, sonhando com um par que nunca me olhou de verdade, enquanto você estava ali, sangrando em silêncio por mim?

Minha loba ronrona baixinho, tentando me acalmar, me dizendo que agora está certo, que ele é o certo. Mas o peito dói. Dói de culpa, de saudade, de medo.

Dói de tudo que eu poderia ter tido com ele, e desperdicei com Eron. Dói por que ele me viu antes de todos, mas eu não fui capaz de fazer o mesmo e isso pode ter destruído tudo que ele conhecia.

Preciso de ar.

Deslizo devagarinho de baixo do braço dele (ele resmunga no sono, aperta o travesseiro onde eu estava), pego o vestido jogado no chão e visto de qualquer jeito. Saio do quarto na ponta dos pés.

A sala está fria, silenciosa. E vazia. Vazia demais.

Dou uma volta lenta. Não tem uma foto. Nem uma. Nem do pai, nem da mãe, nem dele com Eron quando eram filhotes, nem com Enoch, nem da alcateia inteira rindo na fogueira. Nada. Só paredes brancas, sofá cinza, uma estante com livros de estratégia militar e algumas garrafas de uísque caras. O apartamento inteiro cheira a ele, mas não tem a marca dele. É como se ele tivesse se mudado pra cá pra sobreviver, não pra viver.

Sento no sofá, abraço os joelhos e deixo as lágrimas virem.

Eu posso ser a ruptura de tudo. A vadia que separou dois irmãos. A fêmea que quebrou uma alcateia.

Pego o celular com as mãos tremendo e disco o número que eu sei de cor.

Ela atende no primeiro toque.

“Rubi? Meu Deus, filha, você está bem?” A voz da minha mãe quebra na hora. "Por que demorou tanto para me ligar, meu amor. Eu estou apavorada com tudo isso... onde você está?"

Eu tento falar e só sai um soluço.

“Estou bem, mãe… só… com saudade.”

Ela chora também. Dá pra ouvir o meu pai perguntando ao fundo, preocupado.

“Me diz onde você está, meu amor? Manda a localização que eu pego o carro agora e vou te buscar.”

“Não, mãe… ainda não. Eu preciso de mais um tempo."

"Tempo para que? Seu pai já resolveu tudo com Eron. Nós te queremos em casa, Rubi. Você tem a nós, minha filha."

"Eu sei mãe, e é isso que eu estou tentando acertar." falo engolindo o choro. "Acho que as coisas são mais complicadas do que eu pensava." olho para a porta do quarto.

"Do que está falando?"

"Nada. Ainda não posso te contar, mas eu vou pra Caçada, tá?"

"OQUÊ? Não, nem pensar. Eu te proíbo de fazer isso."

"Mãe, eu estou treinando, e o Rael vai estar lá. Eu vou ficar bem."

"O que você quer provar, meu amor? Não precisa... só me escuta Rubi."

"Mãe, por favor..."

Silêncio do outro lado. Ela sabe que tem algo errado.

“Eu preciso de uma coisa, mãe. Só uma.”

"Também te amo."

Desligo. O celular cai no sofá.

Eu fico ali, abraçando os joelhos, chorando baixinho, até sentir dois braços fortes me envolverem por trás.

“Ei, Pecado…” A voz dele está rouca de sono, preocupada. “Por que você saiu da cama?”

Eu viro o rosto, tentando esconder as lágrimas.

“Eu… só precisava respirar.”

Ele me puxa pro colo dele sem esforço, me aninhando contra o peito nu.

“Você tá gelada.” Beija minha testa. “E tá chorando.”

Eu enterro o rosto no pescoço dele.

“Eu posso ter destruído tudo, Riuk. Sua família, a alcateia, você e o Eron…”

Ele me aperta mais forte.

“Você não quebrou nada. Você consertou. Consertou a gente.” Beija minha têmpora. “E se alguém tiver que se quebrar por isso, que seja eu. Nunca você.”

Eu choro mais alto. Ele só me embala, como se eu fosse a coisa mais frágil e mais preciosa do mundo.

“Volta pra cama, pequena. Amanhã a gente enfrenta o mundo. Hoje… hoje você só precisa dormir nos meus braços.”

Eu deixo ele me carregar de volta. Deixo ele me cobrir, me aquecer, me proteger.

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