Eron
A sala de reuniões do Conselho está silenciosa, grande demais para duas pessoas. Eu odeio essa sala. Sempre odiei.
Meu pai, o Alfa Supremo, está diante da mesa, de braços cruzados, me observando com aquela expressão que mistura orgulho e desaprovação, como se eu fosse ao mesmo tempo a melhor arma dele… e a mais perigosa.
“Você tem certeza absoluta que quer manter o plano?” ele pergunta, baixo.
“É a única forma”, respondo, encarando o mapa aberto entre nós. “Se a Rubi não voltar para Denver… tudo desaba. A gente não pode arriscar.”
O maxilar do meu pai trava. Ele sabe. Ele sempre soube.
“Quando a verdade vier à tona, Eron… ninguém vai te perdoar. Nem a alcateia. Nem ela. Principalmente Riuk.”
Eu dou uma risada seca.
“Eu não preciso que me perdoem, pai. Só preciso que nosso plano de certo. Não vou mais aceitar que as pessoas ditem o que eu preciso fazer. Eu não vou aceitar meio trono.”
Antes que ele responda, a porta se abre com um estrondo.
Benjamin entra como uma tempestade.
O alfa enraivecido do Sul.
O pai da minha destinada.
E hoje… o homem que quer me matar.
Ele rosna antes mesmo de falar. Meu pai dá um passo à frente, mas Ben já atravessa a sala e me agarra pelo colarinho, me empurrando contra a parede com a força de um caminhão.
“SEU MERDINHA MIMADO!” ele urra na minha cara. “O que você fez com a MINHA FILHA?!”
Eu não revido.
Não posso.
“Por que a Rubi tem que fugir?!” ele continua, o cheiro de fúria quase sufocante. “Por que ela tem que se esconder DE VOCÊ?!”
“Ben...” meu pai tenta intervir.
“CALA A BOCA, RAGNAR!” Benjamin nem olha pra ele. “Eu quero ouvir da boca desse merda o motivo da minha filha ter pavor dele!”
Eu respiro fundo, sentindo o cheiro de fúria dele queimando minhas narinas.
“Eu confiei em você, Eron! Achei que seria um bom companheiro pra minha menina! Você me garantiu que cuidaria dela! E agora ela some, corta contato, e você nem tenta encontrá-la! Você acha que eu sou idiota?”
Cada palavra é uma facada. Porque ele tem razão.
Eu inspiro, lentamente.
Eu mereço cada palavra.
“Eu fiz tudo o que podia para protegê-la”, digo, sem tentar me soltar. “Tudo. Mas as coisas mudaram.”
“PROTEGER?!” Ele me empurra de novo. “Ela tem PAVOR de você! Sabe o que isso significa? Ela te teme mais do que teme a Caçada!”
Meu peito aperta.
Ele não sabe.
E não pode saber assim.
“Ben…” meu pai tenta de novo. “Tem coisas que você não entende.”
“Entender?!” Benjamin quase ri. “Eu só quero MATAR ele.”
Eu não recuo.
“Se isso ajudar sua filha… faça.” digo, sincero. “Mas antes, você precisa ouvir.”
Ben bufa ainda irado, mas acaba me soltando.
“Fica longe da minha filha na Caçada. Rael está instruído a te parar se você se aproximar dela, e te garanto que estou treinando meu filho muito bem para defender a irmã. Se ele precisar te matar, ele vai. Mas que você não se aproxima mais da minha filha, isso eu garanto."
Fico tenso no mesmo instante. Eu não queria que as coisas tivessem chegado a esse patamar.
"Pai, não podemos..." olho para o alfa supremo que está mais perto do que antes. "Não dá mais pra esconder. Isso vai virar um caos."
"De que porra vocês estão falando?" Ben está a ponto de se transformar, e se isso acontecer, a razão vai se perder.
"Ben, senta. Vamos te contar o que é preciso para que as coisas continuem caminhando conforme eu e Eron planejamos."
"Vocês planejaram? Planejaram foder com a vida da minha filha? Cam sabe disso?"
"Não. Ninguém sabe, e não, não é o que você está pensando." Ragnar tenta acalmar a situação do seu jeito mais político, mas eu sei que o lobo dele também está na espreita. Todos estão.
“Agora sente, tio Ben. Porque o senhor, mais do que ninguém, precisa saber o que está realmente acontecendo.” Ele me olha, estreitando os olhos.
Meu pai puxa uma cadeira.
Eu puxo outra.
Benjamin fica parado por longos segundos, respirando como se estivesse prestes a explodir.
E então, devagar, ele senta.
E eu começo.
Não com a verdade inteira (ainda não chegou a hora), mas com o suficiente pra ele não me mate hoje.
Porque a verdade completa… quando vier à tona… vai ser muito pior do que ele imagina.
E eu vou estar pronto pra carregar esse peso sozinho.

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