Rubi
Os últimos dias passaram como um borrão.
Um borrão quente, intenso, caótico e absolutamente viciante.
Eu ainda não sei como terminei o projeto. Talvez porque, entre um beijo e outro, entre um gemido e outro, entre uma provocação dele e outra, eu simplesmente… trabalhava. Como uma louca. Como se o mundo dependesse daquele portfólio.
E talvez dependesse mesmo.
Mas a verdade é que os últimos dias se resumiram a isso:
trabalho, treino e Riuk.
Nessa ordem.
Ou quase.
Passei mais tempo no apartamento dele do que na minha própria casa. Aliás… já nem lembro como minha casa cheira.
Mas eu lembro como ele cheira.
E isso é quase um problema.
Ele ri comigo, briga comigo, me incentiva, me faz sentir capaz.
E à noite… meu Deus.
À noite ele me destrói e me recompõe até eu esquecer meu próprio nome.
Dois dias atrás, no treino, eu tremia de tão dolorida e ele foi só carinho, só toque lento, só devoção. Fiquei mole, leve, apaixonada. E assustada.
Porque eu não deveria me sentir assim.
E naquela manhã, com o prazo batendo à porta e meu coração na mão, eu estou escovando os dentes no banheiro dele, tentando não pirar. O espelho está meio embaçado, meu cabelo todo bagunçado por culpa dele, e eu me pergunto:
O que eu faço se o projeto não for escolhido?
Eu disse que iria embora.
Eu disse que não ficaria.
Mas… posso ficar?
Antes que eu entre no looping depressivo, sinto mãos quentes envolverem minha cintura por trás. O nariz dele no meu pescoço. O toque que me desmonta inteira.
“Bom dia, Pecado…” a voz ainda rouca de sono, baixa, perigosa.
Meu corpo inteiro responde antes da minha cabeça. Um arrepio gostoso desce pela espinha.
Ele me olha pelo espelho, aquele sorriso lento que sempre me desarma.
“Pronta pra hoje?”
Eu faço que sim, me inclinando para cuspir a pasta na pia.
E ele… rosna.
Baixo, grave, possessivo.
Eu rio.
“Você precisa se controlar, Riuk. Estamos atrasados.”
“Eu tô me controlando. Isso é o meu controle.” ele responde, sério demais para alguém que está me cheirando inteira.
Eu enxáguo a boca, mas ele me vira de frente com facilidade, segurando meu queixo.
“O projeto está perfeito.” afirma, como se fosse uma ordem. “Se o investidor não gostar, não é problema nosso.”
Eu concordo com a cabeça… mas meu coração não acredita totalmente.
Porque eu sei o que acontece se não for aceito.
Simone fica com o emprego dela.
E eu…
Eu disse que iria embora.
E ele sabe disso.
Os olhos dele endurecem por meio segundo. Um lampejo que ele tenta esconder.
“Para de pensar nisso.” ele pede, quase um comando. Ele encosta a testa na minha. “Veste sua roupa. A Brenda já deixou tudo pronto pra apresentação.”
"Vou tentar ser tão positiva quanto você, senhor Peyton." brinco e ele ri.
Fico sem ar.
“E se o projeto não passar?” pergunto, quase sussurrando.
Ele sorri de canto, beija o lado interno do meu joelho, sobe um pouquinho mais, só o suficiente pra eu sentir o calor da boca dele através do tecido.
“Então a gente comemora do mesmo jeito. Só muda o motivo.”
Eu rio, emocionada, puxo ele pra um beijo lento, doce, cheio de tudo que ainda não consegui dizer.
Os rosnados e gemidos dos nossos lobos começam a se misturar e encerro o beijo assim como comecei.
"Vá se trocar, ou nunca ficaremos prontos."
"Não é uma má ideia." o empurro e ele se levanta e ajusto minha saia no lugar, pensando na loucura em que vivemos.
Se um dia eu achei que deixar Eron me machucaria…
Eu não fazia ideia da catástrofe que seria deixar Riuk.
E isso me apavora mais do que qualquer Caçada.
Vou atrás dos meus sapatos, e volto para o banheiro para tentar dar um jeito em meu cabelo e passar meu perfume.
Assim que estamos prontos, Riuk para ao meu lado, e nós dois parecemos dois executivos caros e acabo dando risada.
"O que foi?"
"Quem nos vê assim, não imagina os lobos que se arrastam por nossas peles." ele então saca o celular do bolso.
"Vamos tirar uma foto para lembrar que somos o que quisermos." me ajeito ao lado dele, e ele b**e a foto que se torna a minha favorita.
"Depois quero que me mande," ele concorda me puxando para um beijo lento.
“Agora vamos fechar esse negócio”, ele diz, entrelaçando os dedos nos meus.
E saímos de mãos dadas, com o corpo ainda lembrando da noite, o coração já planejando todas as próximas.
Porque eu já sei que não vou embora.
Não mais.

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