Rubi
O elevador abre direto no andar executivo e… e o silêncio cai como uma guilhotina.
Todos os olhos se viram. Secretárias, estagiários, colaboradores. Eles nos encaram como se a gente tivesse entrado de mãos dadas e com placa de neon escrito “a gente tá transando”.
Riuk não se abala com os olhares, ele apenas os retribui. Sua mão desliza na base das minhas costas, um toque discreto, firme, possessivo. O tipo de toque que ninguém vê, mas todo mundo sente.
Eu mantenho o queixo erguido, o sorriso profissional, o coração disparado. Aqui ele é o chefe. Aqui eu sou a arquiteta que vai apresentar o projeto da vida dela. Aqui a gente finge que não passou a última semana se devorando até perder a voz.
"Vou terminar os últimos ajustes e mando te chamar." concordo, sentindo falta de um carinho ou de um beijo, que é o que ele faz, sempre que nos despedimos.
Laura me vê de longe e abre um sorriso enorme. Corro até ela, ou melhor, caminho rápido nos saltos e a abraço forte.
“Tá tudo pronto?” ela pergunta baixinho.
“Tudo. Só tô morrendo de ansiedade e medo de dar tudo errado.”
“Você vai arrasar, amiga. Seus projetos são um nível que essa empresa nunca viu."
"Exagerada!"
"Não mesmo. Desde a faculdade, você sempre foi elogiada pelo seu talento. E o nosso chefe viu que você consegue atingir os patamares..."
"Para, ele sabe quem me treinou. Minha tia Libby é uma referência nacional, e uma das melhores amigas dele. Sou apenas a aprendiz dela..."
"Pare de se rebaixar. Ele sabe e eu também, que você é mais que isso. Fora que ele te faz um bem danado. Você tá brilhando.” Ela aperta minha mão. “Sério, nunca te vi assim.”
Eu rio, meio sem graça.
“Queria ter essa certeza toda…”
Laura se aproxima do meu ouvido, mudando completamente de assunto.
“Tem boato rolando, viu? A Simone tá espalhando que você subiu na empresa de pernas abertas.”
Eu inspiro fundo, mas sorrio.
“Deixa ela falar. Não vou gastar energia com isso. Não quando eu tô…” baixo a voz “…feliz de verdade pela primeira vez em muito tempo.”
Laura me olha, emocionada.
“Você tá apaixonada, né?”
"Não vamos falar disso aqui. Vem, preciso te contar uma coisa. Na minha sala...”
Entramos na sala e ela se senta na cadeira em frente a mesa. Seu olhar é curioso, mas algo dentro de mim acha que ela já sabe o que eu tenho a dizer.
Eu me encosto na mesa, cobrindo o rosto.
“Laura… ele me pediu pra morar com ele.”
Ela se levanta num pulo.
“NEM PENSAR!”
Eu caio na gargalhada com a cara dela.
Dou risada e saio atrás da Brenda, o coração na boca.
A porta da sala de reuniões se abre… e o mundo para.
Riuk está de pé, de costas pra mim, falando baixo. Simone está sentada na borda da mesa, pernas cruzadas, saia curtíssima, blazer aberto mostrando o decote generoso, rindo de algo que ele disse, a mão quase encostando no braço dele.
Minha loba explode.
Um rosnado grave, profundo, sobe pela minha garganta. Sinto as garras querendo rasgar a palma da mão, os caninos alongando contra a vontade. O cheiro de perfume barato dela invade meu nariz e eu tenho vontade de arrancar cada fio de cabelo loiro da cabeça dela.
Riuk vira o rosto no mesmo segundo. Nossos olhares colidem. Ele lê tudo: o ciúme, a fúria, o instinto de marcar território. E o sorriso que ele abre, lento, perigoso, só pra mim, diz sem palavras: “Calma, Pecado. Você não pode se transformar aqui.”
Ele se afasta dela com naturalidade, vem até mim, seu lobo tentando acalmar a minha.
“Pronta?” pergunta, baixo, mas meus olhos correm para a cobra que continua nos olhando com interesse. "Rubi?" meus olhos voltam para ele. "Calma, você está no limite... não podemos..."
Eu inspiro o cheiro dele, me acalmo na mesma hora.
“Pronta.”
Simone nos encara, o sorriso falso escorregando um milímetro.
Eu sorrio de volta. Doce. Mortal.
Que venha a apresentação. Que venha o mundo inteiro.
Mas depois dessa apresentação, farei questão de dar um recado para aquela vaca desavergonhada.

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