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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 53

Riuk

Eu percebo cada micro detalhe da Rubi.

Cada respiração curta.

Cada músculo tenso.

Ela está olhando para a tela do próprio notebook… mas a loba dela está mirando direto na Simone como se fosse um alvo marcado.

O rosnado baixo que ecoa no peito dela chega até mim como uma vibração, discreta o bastante para os humanos ignorarem, mas impossível de não sentir.

Minha loba interna ergue as orelhas.

A minha pele arrepia.

Passo a mão por baixo da mesa e aliso a coxa dela, tentando ancorá-la.

Mas o toque, em vez de acalmá-la, faz o cheiro dela ficar mais intenso.

O instinto territorial disso tudo está deixando os dois lobos em alerta, o dela e o meu.

Simone senta do meu lado esquerdo, com aquele perfume exagerado que sempre me pareceu agressivo.

Rubi está do meu lado direito, tão perto que consigo sentir o calor radiante dela.

O investidor entra e Simone instantaneamente se inclina para frente, sorrindo largo demais.

Ela se estica, se exibe, se vende.

E eu vejo os olhos do cara escorregarem por ela como se avaliassem carne no açougue.

Não posso controlar isso, nem as intenções dele, nem o jeito como Simone sempre tenta chamar atenção, então apenas observo.

Ela começa a apresentação.

E fala.

E fala.

E fala mais um pouco.

Mas não entrega nada.

É tudo raso, visual, sem profundidade.

Sem vida.

Parece um hotel qualquer, um projeto padrão, um recorte glamouroso e vazio.

O cliente parece contente.

Contente… mas não convencido.

Ele elogia, mas a energia dele é morna, quase desinteressada.

Simone percebe e insiste:

"Alguma dúvida?"

Ele responde que não. Ele recosta na cadeira, satisfeito, mas não completamente convencido.

“Quero ver a outra opção”, ele diz.

Perfeito.

Olho para Rubi, e ela já levanta com aquela postura elegante que só ela tem, mesmo nervosa, mesmo no limite. Mas o queixo está firme, os olhos atentos, e meu lobo rosna baixinho só de vê-la assumir o controle assim.

Simone tenta sorrir, fingindo neutralidade, e me olha tentando achar algum motivo que desmorone a apresentação de Rubi, então a ignoro.

Rubi se posiciona ao lado da tela, respira fundo… e começa.

“Bom… o conceito central do meu projeto é unir sustentabilidade real com impacto visual inteligente.”

“Bom… o meu conceito para este resort parte de um princípio simples: integrar, e não destruir.”

O investidor imediatamente levanta as sobrancelhas.

Ela clica para o primeiro slide: a fachada viva inteligente.

“Essa fachada utiliza espécies nativas da região, não introduzimos plantas exóticas. Isso reduz o impacto ecológico, mantém o equilíbrio local e facilita a aprovação das licenças ambientais.”

O investidor se inclina para frente, interessado.

Rubi continua:

“A estrutura não é apenas decorativa. Ela ajuda na purificação do ar, no isolamento térmico e acústico, reduz o consumo de energia e cria um microclima natural. O sistema retém água da chuva e usa sensores para irrigação inteligente.”

Eu observo Simone engolir seco.

Rubi avança o slide.

“Também reestruturei o layout externo para reduzir a interferência no solo. Mantivemos as áreas de preservação, respeitando o fluxo natural da fauna local. Isso diminui o impacto no ecossistema e acelera a aprovação das licenças.”

O investidor anota algo rápido, como quem não quer perder nada.

E ela segue, brilhante:

“No piso externo das passarelas, implementei um sistema de energia cinética. Cada passo dos hóspedes gera energia convertida para a iluminação. A malha fica invisível sob o piso, preservando o design e eliminando a necessidade de postes invasivos.”

O investidor sorri. Um sorriso honesto.

“Genial.”

Rubi continua:

“Esta integração sustentável de energia, mais a fachada viva, nos permite pleitear o selo Green Friends (Amigos da Natureza). Ele certifica empreendimentos que realmente trabalham em harmonia com o meio ambiente. Isso traz visibilidade internacional e aumenta em até 40% o interesse de turistas eco-conscientes.”

Eu quero levantar e aplaudir.

Deusa, ela é brilhante.

Simone está branca como papel.

“Você foi perfeita.”

A palavra sai mais rouca do que eu planejei.

Beijo o canto da boca dela, rápido, discreto, mas carregado de promessas que só nós dois entendemos.

Rubi respira como se estivesse tentando segurar um sorriso e não conseguisse.

“Eu não acredito… ele escolheu o nosso. De verdade?”

“Eu tinha certeza que iria.”

Meu polegar acaricia sua cintura, impossível de evitar.

“Simone apresentou um resort. Você apresentou uma mina de ouro.”

Ela solta uma risadinha fraca, emocionada, como se ainda tivesse medo de acreditar.

Eu, porém, não tenho.

“Você mudou tudo hoje, Rubi. Isso aqui vai marcar o seu nome na empresa.”

O lobo vibra dentro de mim, orgulhoso demais.

Mas não posso ficar aqui, preso nela, por mais que eu queira.

Eu solto sua cintura devagar, sem vontade nenhuma de encerrar o toque.

“Eu preciso ir falar com a Simone,” digo finalmente, respirando fundo. “Ela vai ter que ouvir algumas coisas sobre postura… e sobre não ultrapassar limites.”

Os olhos da Rubi se arregalam, a preocupação óbvia e um restinho de ciúme involuntário.

Eu sorrio.

“Não se preocupe.”

Meu tom muda, mais grave, mais possessivo.

“A única pessoa que importa nesse projeto e pra mim, acabou de sair vencedora.”

Ela cora até as orelhas.

Ajeito a gravata, respiro fundo e caminho até a porta.

Antes de sair, olho pra trás.

“E, Rubi… depois que eu resolver isso, quero você na minha sala.”

Um convite.

Uma ordem.

E uma promessa.

Tudo ao mesmo tempo.

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