Riuk
O corredor parece mais longo do que o normal, mas meu lobo vibra a cada passo.
Ele quer resolver isso.
Ele quer proteger o território.
E parte desse território… tem nome.
Rubi.
Chego à sala de Simone.
As paredes de vidro não escondem nada, por isso eu não bato.
Eu entro.
Ela levanta imediatamente, sorrindo como se estivesse recebendo o salvador da carreira dela.
“Senhor Riuk!”
A voz doce falsa.
As desculpas começam antes mesmo de eu fechar a porta.
“Eu queria me explicar… realmente o projeto ficou incrível. Agora entendo por que ela não quis me passar as anotações aquele dia. Já deveria ter tudo planejado. Às vezes até conhecia o cliente e fez isso apenas para me humilhar.”
O termo ela pinga veneno.
Cruzo os braços.
Espero.
Simone dá dois passos, não suficientes para cruzar limites, não com tantos funcionários olhando, mas suficientemente estudados para se insinuar.
“Acredito que tenha vindo me chamar para coordenar o projeto, já que sua cunhada”, ela faz questão de arrastar a palavra, “não tem experiência para algo desse porte.”
Eu sorrio devagar.
“Ela tem competência, sim. Tanto que a estou promovendo.”
A expressão dela desmonta.
“Como é que é?”
“Ela fechou o maior contrato da empresa,” continuo, firme. “E ainda solucionou todos os problemas que o cliente levantou. O que me leva a um questionamento, Simone.”
Dou um passo à frente.
“Você ouviu alguma coisa da nossa primeira reunião? Tudo o que o cliente apontou da parte ambiental e como ele queria que o projeto fosse feito?”
Ela se ofende na hora, quase teatral.
“Claro que sim! Assisti ao vídeo várias vezes para não perder nada. Como disse, acho que a senhora Peyton já o conhecia e fez apenas poucos ajustes.”
Eu rio.
Não consigo evitar.
“Essa é a sua justificativa para o seu fracasso?"
"Meu fracasso? Eu não fracassei, eu apenas fui trapaceada e se me der..."
"Acabou Simone. Não tente mais justificar sua falta de talento e de tato. Você não os tem."
Os olhos dela se arregalam.
“Não tenho mais por que manter você na empresa.”
Ela trava.
“Como assim?! Você quer dizer que um único projeto vai apagar tudo o que eu fiz?”
“Não,” respondo. “A sua falta de profissionalismo apagou. Sua falta de limites. Vir vestida desse jeito para o trabalho…” olho de cima a baixo, “mostra exatamente o que você queria. Se não conseguia garantir o projeto, queria garantir de outra forma, mas ainda assim não foi o suficiente.”
Ela empalidece.
“E o pior: seu trabalho não é bom o suficiente. Hoje era seu teste final. Você precisava apresentar algo inovador.”
Faço uma pausa.
“E falhou. De novo.”

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