Rubi
Calma. Queixo erguido. Sorriso pequeno, quase gentil. Era assim que eu queria que ela me visse.
“Desculpa interromper,” falo docemente, “mas eu ouvi alguém falando de abrir pernas…”
Simone trava no meio do grito.
Dou dois passos para dentro da sala, e paro na frente dela.
"A própria trapaceira acabou de chegar. Momento perfeito." ela fala e dou um sorriso de lado, minha loba a espreita.
"Trapaceira eu? Nossa, pelo que fiquei sabendo quem dormiu com o estagiário do financeiro para conseguir informações sobre o meu projeto foi você. Ou estou errada?" ela fica pálida. "Ou a informação que tenho do seu assistente de design de que você adora o estacionamento aqui da empresa para matar suas vontades mais loucas. Também é mentira?"
"Sua...sua... Isso é calúnia, eu posso te processar por isso." sorriu de lado, e levanto o celular onde o vídeo dela entrando com o rapaz no carro da empresa aparece, e logo os sons ficam bem nítidos.
"Não me diga que não sabia que a empresa de segurança instalou câmeras com som?" ela fica roxa, rosa, azul. Um arco-iris inteiro.
O corredor inteiro fica em silêncio. Dá pra ouvir o ar-condicionado.
Dou mais um passo a frente, minha loba louca para arrancar aquela cara de vadia dela no dente.
“Você quer falar de profissionalismo? Então pega suas coisas e sai antes que eu mostre o print que eu tenho da sua conversa com o cliente de hoje, oferecendo horas extras para reavaliar o seu projeto."
Simone abre a boca. Não sai nada.
Riuk se endireita, pois não sabia daquela informação.
"Precisa de ajuda para achar o caminho da saída, Simone?" a mão dela se fecha em punho e eu me preparo para me defender igual Riuk me ensinou.
"Eu vou me vingar de vocês. Eu garanto isso. Eu vou fazer vocês dois me pagarem por tudo que me fizeram." minha loba rosna, e ela fica ainda mais espantada e dá dois passos para trás.
"Com medo? É deveria ter..." a ameaço descaradamente. "Chegue perto do que é meu de novo, e te garanto que esse rosto plastificado não terá mais concerto." ela leva a mão ao rosto e sai correndo.
Quando some no elevador, solto o ar e começo a rir.
“Eu tava morrendo de medo de chegar atrasada pra essa parte.”
Ele me puxa pela cintura, beijando minha testa.
“Chegou na hora perfeita, arquiteta-chefe.”
Dou risada contra o peito dele.
“Agora podemos comemorar de verdade?”
"Era isso que eu esperava, mas fiquei com uma dúvida. Me explica isso dela mandar mensagem para o cliente."
"Bom, foi isso que ela fez depois que saiu da reunião, mandou mensagem para ele e disse que poderia fazer tudo que eu tinha apresentado e mais, além de horas extras no quarto dele. Laura recebeu uma mensagem do gerente dele, questionando sobre isso, e me passou. Por isso demorei."
"É ... acho que ela está na profissão errada." nós dois gargalhamos, e então ele me puxa para um beijo apaixonado. Aquele que eu quis desde a hora que o contrato foi fechado.
"Pensei em te levar para almoçar fora, e depois... podemos ir para a sua casa e..." começo a falar e ele me encara.
"Você está me chamando para um encontro?"dou risada e digo.
"Achei que eu tinha alguns benefícios com meu chefe. Já que a empresa inteira está falando, acho que podemos continuar alimentando os boatos." O lobo dele rosna e a minha responde ronronando.
Saímos da empresa ainda rindo, e eu nem tento disfarçar o quanto estou leve depois de tirar a Simone do meu caminho. Riuk segura a minha mão como se fosse natural. Talvez seja mesmo.
O restaurante é perto, só duas quadras. Pequeno, tranquilo, perfeito pra finalmente respirar. O garçom nos coloca numa mesa no canto e eu quase desabo na cadeira.
"Eu precisava disso hoje," murmuro. "É a nossa vitória."
"Eu também," ele responde, olhando pra mim como se fosse me comer ali mesmo.
Pego o cardápio, mas não consigo focar. Algo estranho b**e no ar.
Frio. Meio pesado. Não deveria estar assim dentro do restaurante.
"Você sentiu isso?" pergunto, franzindo a testa.


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