Riuk
O ar é pesado demais para um restaurante.
Pesado demais para a Rubi estar atrás de mim.
Sinto o corpo dela encostado nas minhas costas, o cheiro, a respiração e tudo isso só aumenta o pânico dentro do meu peito, porque eu sei que não tenho magia o bastante pra segurar isso. Aliás… eu nem sei usar direito o pouco que tenho.
Mas não posso deixar ela ver isso.
“Quem é você?” repito, firme, mesmo com o lobo rosnando dentro de mim.
A criatura, o homem, o bruxo, seja lá o que for, ri.
Um riso leve, irritante, como se esse caos fosse entretenimento pra ele.
As mesas viram, talheres batem no chão, copos estouram sozinhos.
“Ora, ora… irmãozinho,” ele diz, como se estivesse me cumprimentando num almoço de família. “É assim que você recebe o único irmão de sangue que tem?”
Meu estômago afunda.
Não. Não pode ser isso.
“Nosso pai não fez questão de unir os filhos pelo mundo,” ele continua, abrindo os braços num gesto teatral. “Então, permita-me: sou Atlas Mcnight. O penúltimo filho de Vincent vivo. O último… é você.”
Minha espinha inteira arrepia.
O lobo rosna alto, alto o suficiente para a Rubi ouvir.
Eu olho por cima do ombro, ela continua colada em mim, teimosa, teimando ficar. E isso me destrói por dentro.
Eu preciso tirá-la daqui. Agora.
Volto para o Atlas.
“O que você quer?” forço entre os dentes. "Não tenho paciência pra joguinho."
“Só conhecer meu irmão.”
Ele pisca, debochado.
“Pra quê?” cuspo. “Eu não quero ter ligação nenhuma com o lixo que o nosso genitor deixou por aí.”
Atlas apenas ergue uma sobrancelha… e se senta numa mesa caída, como se estivesse entrando num café.
Com um estalar de dedos, tudo volta ao lugar.
Vidraça. Mesas. Talheres. O chão. Tudo impecável.
As pessoas saem correndo, berrando, atropelando umas às outras.
“Rubi, vai,” sussurro. “Sai daqui. Agora.”
Mas ela não solta meu braço.
Os dedos dela apertam mais ainda.
Isso me apavora como nada mais no mundo.
Viro de novo para Atlas, irritação queimando meu peito.
“Fala logo, caralho, se só quisesse conversar, você não tinha destruído o lugar.”
Ele sorri, aquele sorriso de quem sabe que ainda nem começou a brincadeira.
“Já disse… vim conhecer você. Somos os últimos da linhagem de Vincent. É natural que...”
“Para de enrolar,” rosno. “Isso não existe. Não tem essa de ‘família’. Você quer alguma merda. Então diz logo, antes que eu...”
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