Riuk
Eu me sento, lento, atento, cada músculo pronto para atacar se ele fizer um movimento estranho.
Atlas inclina a cabeça, sorrindo como quem está apreciando um vinho caro.
“Relaxa, irmãozinho. Se eu quisesse você morto, não teria consertado o restaurante.”
“É. Teria só deixado o caos, né?” rosno.
“Fala logo. De onde você veio e por que só apareceu agora?”
Ele apoia o cotovelo na mesa como se estivéssemos conversando sobre o clima.
“Eu vim porque você finalmente acendeu.”
“Acendi?” repito, a raiva subindo.
Ele aponta para minhas mãos.
“Seu poder… esse azul… achou que ninguém ia notar? Você está vazando energia como um farol quebrado. Qualquer bruxo com meio cérebro conseguiria sentir você.”
“E daí?” aperto os punhos. “Não pedi ajuda.”
Atlas ri.
Um riso leve. Frio. Filho da puta.
“Você nunca pediu nada. Porque ninguém te ensinou nada. Você viveu preso numa jaula dourada, achando que era lobo, mas você é muito mais do que isso.”
Meu peito aperta.
"Eu sou o que quero ser. E essa luzinha aqui, pouco me importa." sua expressão se torna irritada.
"Deveria saber que a magia não gosta de ser testada. Você não a querer e ela não existir, são coisas completamente diferentes."
“Eu não sou como você. Se você gosta de se misturar com ela, fique a vontade. Eu não faço questão.”
“Mas ai está o problema, você já é como eu.” Ele sorri, tranquilo, perigoso. "Filho de um feiticeiro desgraçado, que usou sua mãe para fazer um herdeiro forte. Testado para aguentar os piores desafios. Já ouvi sobre você. O único que conheceu nosso pai de verdade."
"Você quer dizer, o que matou nosso pai de verdade, né?" ele ergue a sobrancelha.
"Isso é o que mais me fascina em você."
"Isso não importa. Se está aqui para me dizer como usar essa coisa, pode ir embora. Eu não faço questão de aprender." rosno já me levantando.
“Mas deveria. Se não aprender a controlar, vai matar todo mundo que tocar. Inclusive aquela menina teimosa que você mandou embora.”
Meu sangue gela.
Ele percebe. Claro que percebe.
“Riuk… você sente, né?” ele continua, quase gentil. “Quando ela encosta em você, o calor sobe até o pescoço, mas logo vira um estalo na ponta dos dedos… bagunça seu lobo… deixa o ar pesado…”
Eu rosno alto.
Ele acerta em cheio.
“Se você não aprender,” Atlas diz, a voz baixa, sedutora como veneno,
“vai ferir todo mundo que ama. Talvez até sem querer. Começa com choques leves... depois passa por um arrepio na espinha, até que você se esquece e descarrega todo seu poder, sem nem fazer força.”
“Você não sabe de nada.” cuspo.
“Eu sei o suficiente.” Ele cruza as mãos.
“Se quiser, eu posso te ensinar. Controlar. Respirar sem que tudo ao redor quebre. Ser mais forte do que todos os bastardos que Vincent deixou pra trás.”
Minha raiva cresce, tão forte que minha pele formiga.
As veias dos meus braços brilham azul.
O ar estala.
Atlas observa como quem admira uma obra de arte.
“Viu? Você está descontrolado. É perigoso. Você é perigoso pra ela.”
“Você quer alguma coisa, Atlas. Então fala logo. Não estou caindo nessa conversa de mentor.”
“Conexão.”
Ele limpa a mão na calça. “E controle. Coisa que você não tem.”
Meu lobo está em pânico.
Eu dou dois passos pra trás, respirando rápido.
Sinto a magia morta dentro de mim, quieta demais.
Como se alguém tivesse roubado o ar dos meus pulmões.
Antes que eu possa dizer qualquer merda, meu celular vibra no bolso.
Pai.
O Supremo. Aquele que me criou.
Atendo na hora.
“Você sabe quem é Atlas McNight?” pergunto, direto.
Do outro lado, silêncio.
Depois, um sussurro carregado de ódio:
“…que merda.”
Meu estômago afunda.
“Onde ele está?” Ragnar pergunta, urgente.
Olho para Atlas.
Ele me encara, sorriso pequeno, como se estivesse esperando exatamente essa pergunta.
“Bem na minha frente,” respondo.
O sorriso do meu irmão fica ainda mais perigoso.

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