Riuk
O telefone está no meu ouvido, mas meus olhos não desgrudam de Atlas.
Ele inclina a cabeça, curioso, como se estivesse ouvindo a conversa também.
Ragnar rosnou do outro lado da linha.
“Riuk, escuta com atenção. Não deixa ele encostar em você.”
Meu estômago vira.
“Por quê?” pergunto baixo, dando um passo atrás sem nem perceber.
“O poder dele é drenar energia vital.” Ragnar fala rápido, como se tivesse medo de não dar tempo. “Se Atlas tocar em você, ele vai sugar seu lobo e sua magia. Você entende o que isso significa?”
Entendo.
E não entendo.
Só sei que o brilho azul se foi e meu logo está estranho.
Ragnar continua, tenso:
“Eu explico depois. Agora só se afasta. Não deixa ele...”
Eu tiro o telefone do ouvido.
Prendo a respiração.
Tô mais fodido do que achei.
Atlas sorri como se tivesse ouvido tudo.
“É bom ter um pai assim, né?” diz ele, com aquela voz calma que irrita. “Tão preocupado com seus rebentos. Eu não tive essa sorte.” Ele faz um gesto leve, quase teatral. “Tive que sobreviver sozinho depois que minha mãe foi expulsa da alcateia. Culpa do Vincent… já que engravidar de um maldito feiticeiro nunca cai bem.”
Coloco o celular no bolso.
“Eu não quero saber da sua história trágica.”
Ele ri.
“Claro que não. Mas você deveria. Nosso pai deixou um rastro de destruição… e nós somos o que sobrou.”
“Nós?” digo, firme. "Eu destruí o Vincent, suponho que me odeie por isso. É por isso que estamos tendo essa conversa?"
"Ah não. Pouco me importa se você acabou com aquele verme ou não. Meu interesse é outro."
"Então..."
Atlas dá um passo pra frente. Eu dou outro pra trás.
“Eu não vim só olhar pra sua cara.”
O sorriso dele é calmo demais.
Perigoso demais.
“Vim te fazer uma proposta.”
Meu lobo rosna, mesmo fraco.
Ele continua:
“Eu quero te treinar. Ensinar seu poder. E, no futuro… criar algo novo.” Ele ergue as mãos, como se apresentasse um espetáculo. “Uma terceira raça. Lobos com magia. Algo que ninguém jamais conseguiria enfrentar.”
Meus dedos formigam, mas a chama lá dentro… não tem força para aparecer.
O que ele sugou… não voltou.
“Imagina, Riuk,” Atlas continua, confiante, “um alfa supremo que não seja o Eron. Um descendente direto de Vincent, com força de lobo e magia nas veias. Você no topo. Você comandando tudo.”
Eu sei que negar pode me matar.
Se com um toque ele me deixou mole, imagina se ele quiser de verdade?
Então eu engulo seco. E entro no jogo.
“E eu teria… tudo o que quiser?” pergunto, de propósito.
Cada palavra calculada.
Cada batida do meu coração uma mentira.
Atlas sorri largo.
“Tudo.”
Ele chega mais perto.
“Até a esposa do seu irmão, se essa for sua vontade.”
Meu lobo avança dentro de mim, mas eu seguro.
Respiração firme.

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