Riuk
O jato particular do meu pai aterrissa na pista privada às 22h47. Ninguém fala nada. O ar tá pesado, carregado de magia que nem é minha ainda.
Eu queria que fosse outra pessoa que descesse dali, mas não. É o que vai me tornar forte.
Eron quis vir, mas eu mandei ficar. Isso é comigo.
Então assim que a porta abre, um homem sai da aeronave. Capa preta com capuz, mesmo com o calor de Denver no verão. Alto, magro, mãos tatuadas com símbolos que brilham azul escuro quando a luz b**e.
Ele puxa o capuz pra trás.
Rosto marcado por cicatrizes antigas, olhos de um violeta tão claro que parece branco. Cabelo grisalho preso num coque baixo. Idade? Impossível dizer. Pode ter 40 ou 400.
“Riuk Peyton,” ele diz, voz rouca, como se tivesse fumado pedra a vida inteira. “Eu sou Drevan. O último da linhagem Hamotap que não virou lixo como o Atlas.”
Eu travo.
“Você é parente dele?”
“Primo de terceiro grau,” ele responde, sem emoção. “O sangue que corre em mim corre nele. Mas eu escolhi outro caminho e me escondi, pois sei o que aquele maldito quer. E agora vou te ensinar a destruir o que ele virou.”
Ele estende a mão. A palma tem um símbolo queimado, igual ao que vi em sonho uma vez.
“Seu pai pagou caro pra me tirar do esconderijo. Mas eu não vim pelo dinheiro. Vim porque se Atlas pegar sua magia, o mundo acaba. E de uma forma ou de outra você também é parente. Todos unidos pela magia que correu nos antepassados de Vincent.”
Eu aperto a mão dele. O toque queima. Literalmente. Sinto um choque subir pelo braço, como se ele tivesse ligado um fio desencapado na minha alma.
“Você tem mais magia do que ele imagina,” Drevan diz, soltando. “E mais raiva. Isso é bom. Mas raiva sem controle vira loucura. E eu não treino loucos.”
Eu rosno.
“Loucura é subestimável. Ele ainda não me viu louco. Mas minha meta é ter certeza de que minha companheira está bem. Ele fez alguma coisa com ela. Ele usou algo que a faz sangrar e quero compensação com o sangue dele. Faço o que for possível para destruir o desgraçado.”
Ele sorri, sem dente.
“Ótimo. Porque o que for preciso… vai doer pra caralho.”
Então eu tenho que aprender a lidar.
Porque a marca no meu peito ainda queima. Porque eu sinto o medo dela no laço como se fosse meu.
E porque, pela primeira vez na vida, eu tô disposto a virar monstro pra salvar o meu amor.
“Então me faz doer. Rasga essa porra dentro de mim, mas me ensina a lidar, para que eu possa acabar de vez com aquele desgraçado, assim como fiz com Vincent,” eu digo, voz baixa.
Drevan para no fim do corredor, vira pra mim.
“Boa resposta. Mas com Vincent você teve sorte. Com Atlas será um milagre. ”
"Eu gosto de milagres."
"E ele sabe disso, por isso deixou você por último."
Ele estala os dedos. O mundo apaga.

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