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Após o Divorcio Meu Marido Se Arrependeu romance Capítulo 216

O pátio do Colégio Saint James, às 12h37, horário nobre do intervalo, parece um zoológico com Wi-Fi e uniforme. Tem gente competindo pra ver quem grita mais alto na disputa de “quem lembra a fórmula de Bhaskara”, tem casal em slow-motion digno de trailer de romance; tem grupo treinando coreografia de K-pop sob o sol de rachar; e, claro, há o clássico empurra-empurra na fila da cantina, onde a torta de frango ganha status de lenda urbana.

É nesse caos delicioso que nossa trupe faz uma entrada triunfal.

As gargalhadas ainda ecoam do “beijaço” cinematográfico de Tomás e April, quando David surge no corredor central. Ele mantém o braço enroscado nos ombros de Serena, que balança a cabeça como quem está ouvindo a playlist de amor próprio entregue pelo universo. O sorriso dela? Daqueles que fariam até professor de Geometria acreditar em contos de fadas.

Logo atrás, Tiago aparece puxado pela mão de Bianca. Ela puxa a camisa polo do namorado como quem diz: “Se você parar pra tirar selfie no espelho outra vez, fico viúva de hambúrguer”. Ele obedece, porque sabe bem que ninguém zoa uma garota que levanta 40 quilos no supino.

Ao se aproximarem da mesa, eles trazem um fôlego novo pro clima que já era caótico e transformam a cena num episódio extra de Friends.

David vai direto até a irmã. Ele sorri aquele sorriso que diz “Eu sei de tudo desde que você foi concebida”, vira-se para Tomás, que ainda segura firme a mão de April como se fosse a senha do Wi-Fi, e dá um soquinho leve no ombro do rapaz:

— Tome conta dela, ouviu?

O tom é metade irmão-coruja, metade apresentador de stand-up testando piada nova.

Tomás retribui com ar de “Sim, senhor, capitão” e responde, todo zen budista:

— Sempre.

Serena revira os olhos, puxando David pela manga: “Ok, grandão, volta a ser romântico antes que vire Hulk possessivo”.

O grupo mal senta e a brisa da tarde traz uma nova voz:

— E aí, pessoal, o que tá pegando?

Quem surge é Richard O’Connell, ruivo de olhos verdes que não conhece ferro de passar. A camisa dele tem mais dobras que prova de química no fundo da mochila e a mochila, pendurada de lado, ostenta um chaveiro do Guns and Roses. Richard anda como quem está eternamente de férias na praia, só que perdeu a praia e encontrou a matemática.

Ao ver o amigo, David faz sinal de “Vem pra cá, criatura!”:

— Senta aí, Richard! Deixa eu te apresentar a minha irmã e a minha prima.

Richard faz um voador de olhar simpático para April:

— Então essa é a famosa April…

Antes que David complete o currículo dela, Tomás infla o peito, ergue o queixo e solta, tipo carimbo oficial do cartório do amor:

— Minha namorada.

A palavra ecoa mais alto que sirene de recreio. Uma galera atrás deles faz “Ooooh!” em perfeito uníssono, e até o inspetor que monitora celulares confisca uma risadinha.

Richard arregala os olhos e solta um assobio:

— Finalmente teve coragem, né? Cara, não aguentava mais ouvir o Tomás suspirando por você pelos corredores! Era “Ai, April isso”, “Ai, April aquilo”… Juro que procurei travesseiro com sua foto pra ele dormir abraçado.

Tomás vira cor de ketchup. April ri com brilho nos olhos, puxa o namorado num abraço de urso panda e ele murmura:

— Valeu, seu idiota.

A mesa toda gargalha e Richard sorri largo. Mas depois de ser aplaudido, trava os olhos em Mel. Ela está sentada ao lado de April, canudinho de refri na boca, postura de quem é metade garota, metade incêndio controlado. Os dois trocam um daqueles olhares intensos e sugestivos.

Richard tenta parecer cool. Falha miseravelmente, porque a franja cai no olho e ele espirra.

Ele se vira para David, levantando uma sobrancelha dramática:

— E essa princesa?

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