Os dias passaram lentamente, e a rotina de Helen se tornou um exercício constante de autossuperação. Ela não deixava que a indiferença de Ethan a quebrasse, pelo menos não publicamente. Seus sorrisos na empresa eram impecáveis, sua postura firme, seus olhos atentos a cada detalhe do trabalho que ela executava com perfeição.
Tânia continuava sendo seu porto seguro. E foi em uma noite, enquanto trabalhavam até mais tarde que Helen, exausta, decidiu desabafar mais uma vez.
— Eu estou cansada, Tânia. — Ela disse, largando a caneta sobre a mesa e apertando as têmporas. — Cansada de lutar contra algo que talvez nem exista.
Tânia a observou com preocupação.
— O que quer dizer com isso?
— Eu me esforço tanto para ser notada por ele… para que ele veja quem eu sou, o quanto eu o amo. Mas parece que quanto mais eu tento, mais ele se afasta. É como tentar segurar água com as mãos.
— Talvez seja porque você está tentando da maneira errada. — Tânia sugeriu, os olhos cheios de empatia. — Talvez você precise parar de tentar ser o que ele quer e simplesmente ser você mesma.
Helen riu, uma risada amarga.
— Eu sou eu mesma, Tânia. Mas ele me ignora. Nada do que eu faço é suficiente.
— E se a questão não for o que você faz, mas sim o que você permite que ele faça com você? — Tânia desafiou.
Helen ergueu os olhos, surpresa.
— Como assim?
— Você se permite ser tratada como invisível, Helen. Você se permite ser ignorada, desvalorizada, colocada em segundo plano. Você se permitiu viver esse casamento como se ele fosse o centro do seu mundo. Mas você é muito mais do que isso.
As palavras de Tânia a atingiram como um soco. Helen piscou, atordoada. Nunca havia pensado por essa perspectiva. Sempre acreditara que o problema estava em não ser o suficiente para ele. Mas talvez fosse verdade. Talvez o verdadeiro problema fosse o quanto ela se permitia ser diminuída.
— E o que eu deveria fazer? — Helen perguntou, a voz mais fraca do que pretendia.
— Pare de viver por ele. — Tânia respondeu sem hesitar. — Viva por você. Pare de correr atrás do que ele nunca prometeu te dar e comece a se perguntar o que você quer de verdade. O que te faz feliz, Helen?
A pergunta ecoou em sua mente durante toda a noite e por dias depois.
✲ ✲ ✲
Naquela manhã, Helen acordou determinada a mudar algo. Mesmo que fosse apenas um pequeno passo. Vestiu-se com um vestido elegante de cor vibrante, prendeu os cabelos em um coque sofisticado e passou um batom que realçava seus lábios. Se Ethan não a via, que assim fosse. Ela passaria a se enxergar, e isso era o que importava.
Quando entrou na empresa, os olhares dos funcionários se voltaram para ela. Ela sabia que havia algo diferente em sua postura, na maneira como andava com confiança. E a pessoa que mais percebeu essa mudança foi Tânia.


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