O dia mal havia começado, e Dorian já estava insuportável.
O silêncio na mansão o incomodava. Os funcionários, que antes andavam em silêncio absoluto por medo, agora pareciam estar gritando.
A temperatura do café? Um escárnio.
— Quem fez isso aqui? — perguntou, olhando a xícara como se estivesse envenenada.
A cozinheira não ousou responder. Apenas tremeu os joelhos por dentro e agradeceu a Deus quando ele largou a xícara na bandeja com um baque.
Já no carro, Dorian reclamou da velocidade do motorista.
— Está com medo de que o carro decole? Um pouco de agilidade não faria mal.
O motorista só assentiu.
Aprendeu há tempos que discutir com Dorian Villeneuve era como tentar ensinar um peixe a voar.
Na cozinha da mansão, Malu apoiou os cotovelos no balcão e observou Francine esfregando com concentração duvidosa uma bandeja já limpa.
— Amiga... o homem tá virado no Jiraya hoje — disse baixinho, como se Dorian ainda pudesse ouvir do outro lado da cidade. — O que você fez com ele?
Francine virou o rosto devagar, sem largar a esponja.
— Eu? Nada.
— Só pode ser esse o problema então — rebateu Malu, cruzando os braços. — Você fez o favor de entrar na vida dele, bagunçar tudo e depois sumir. Isso não se faz, viu?
— Eu tô aqui ainda — rebateu, voltando a esfregar a mesma bandeja pela terceira vez.
— Tá, mas com uniforme e cara de planta. Nem você acredita que ele vai te reconhecer assim. Você praticamente desapareceu.
Francine deu de ombros, como quem não quer continuar a conversa, mas Malu não perdoou.
— Ele acorda cedo, mal olha na cara da gente, só toma café resmungando. Tá todo mundo com medo de espirrar errado e ser demitido. Esse homem virou um iceberg com cara de tédio. Certeza que é saudade.
Francine suspirou fundo.
Ela também sentia saudades. Mas saber disso não tornava a situação menos perigosa.
— Então ótimo. Que ele sinta saudade até esquecer.

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