— Dorian... não. Para. Você não pode estar considerando isso de verdade.
— Por que não?
— Porque você não vai encontrar ela desse jeito. Vai atrair curiosas, interesseiras, mentirosas... e a verdadeira? Se for inteligente, vai fugir ainda mais.
— E se ela estiver esperando uma chance?
— Se ela estivesse esperando, já teria aparecido.
Dorian ficou em silêncio. Olhava fixamente para o tampo da mesa, como se tentasse encaixar um quebra-cabeça invisível.
Cássio se inclinou para frente.
— Escuta… você mesmo disse que ela foi embora sem deixar rastro. Não quis ser encontrada. Talvez essa seja a resposta.
— Ou talvez ela só tenha medo do que vai acontecer quando for descoberta.
— E com razão, não acha? — Cássio apoiou os braços na mesa. — Pensa como ela. Você é Dorian Villeneuve. Todo poderoso. Frio. Desconfiado. Do tipo que resolve tudo com dinheiro ou controle.
Dorian estreitou os olhos, ofendido.
— Obrigado pelo carinho.
— Tô falando sério. Você já parou pra pensar que, se ela souber que você tá atrás dela, a primeira reação vai ser correr?
O silêncio de Dorian confirmou que ele já tinha pensado nisso. Muitas vezes.
— Você não quer um circo, Dorian. Quer ela. Mas quanto mais barulho fizer, mais longe ela vai ficar.
Ele passou a mão no rosto, irritado.
— Então o que eu faço? Fico sentado, esperando um milagre?
Cássio deu um leve sorriso.
— Não. Você só para de agir como se tivesse controle sobre tudo. Porque dessa vez, meu amigo, o jogo não tá na sua mão.
Dorian encarou o nada por um momento. Depois, se levantou, murmurando:
— Talvez esteja na hora de mudar a estratégia.
— Isso não soou nem um pouco tranquilizador — disse Cássio, olhando ele sentar e abrir o notebook.
Dorian não respondeu.
Apenas encarou a tela por alguns segundos, os dedos pairando sobre o teclado sem digitar nada.
"Um novo baile?", pensou. Mas descartou rápido.
O encanto da noite anterior não seria replicado com convites forçados.
Além disso, seria ainda mais óbvio.
Qualquer uma que aparecesse estaria ali com um único objetivo: se encaixar no que ele procurava. A autenticidade se perderia.
"Um anúncio?", ele torceu o nariz só de considerar. "Procura-se: mulher misteriosa de vestido vermelho. Assinado, um bilionário desesperado."

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