Denise levantou os olhos devagar, fitando-o como quem esperava outro tipo de ordem.
— Posso saber por quê? — perguntou, com a voz baixa, mas cheia de intenção.
— Você pode cumprir o que eu pedi. — O tom dele era frio, controlado.
Denise cruzou os braços, o olhar apertado sobre ele.
— Você vai demitir a garota?
Dorian suspirou, irritado com a suposição — ou com o fato de que ela estava certa em pensar que ele poderia.
— Só… mande ela até o escritório.
Denise ainda hesitou por um segundo. Analisou a expressão dele como quem decifrava uma senha de cofre — e pareceu não gostar do que encontrou ali.
— Como quiser — respondeu por fim, seca. E virou-se para sair, não sem antes completar, por cima do ombro — Mas pense bem no que vai fazer.
Francine estava encostada na bancada da cozinha, rindo de alguma história que Malu contava sobre um incidente com farinha e um liquidificador possuído.
Mas o riso das duas se dissolveu assim que Denise entrou pela porta, com a postura mais rígida do que de costume.
— Francine, o senhor Dorian quer falar com você. No escritório. Agora.
O silêncio se espalhou como fumaça.
Francine engoliu seco. As mãos, que há pouco seguravam uma xícara de café, pareciam não saber mais onde ficar.
— Tudo bem — respondeu, tentando parecer firme, embora o coração estivesse aos pulos.
Malu arregalou os olhos assim que Denise saiu da cozinha.
— Fran, agora é sério… eu tô com medo por você, amiga. Acho que isso foi longe demais.
Francine fechou os olhos por um segundo, como quem tenta colocar os pensamentos em ordem.
— Se for meu fim, pelo menos vai ser com dignidade. — Endireitou os ombros, mesmo que por dentro estivesse desmoronando. — Me deseja sorte.
— Boa sorte. Você vai precisar.
E Francine saiu da cozinha com passos firmes, mas o estômago revirado.
Ela parou por um segundo, encarando a madeira maciça da porta como se isso fosse dar alguma resposta. Nada vinha.
E bater na porta, naquele momento? Nem pensar. Ele a mandou chamar. Então que estivesse pronto.
Virou a maçaneta e entrou com a cabeça erguida, como quem pisa num campo de batalha.
Não pediu licença, não anunciou presença. Só entrou — e fechou a porta atrás de si com a mesma firmeza que tentava manter na alma.

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