Dorian deu de ombros, ainda largado na poltrona como se aquele fosse só mais um dia comum na mansão.
— Desde que vi você exibindo um talento... e depois desistindo dele sem explicação.
— A vida acontece, Dorian — ela respondeu com ironia. — Acontece bastante pra gente que precisa pagar boletos.
Ele inclinou levemente a cabeça, apoiando o cotovelo no braço da poltrona.
— Mas você tem talento. Postura, presença... Você brilha quando quer. E não tô falando só daquela noite — ele completou, com a voz mais baixa.
Francine sentiu o coração acelerar. Desviou os olhos, voltou a esfregar a prateleira com mais força do que o necessário.
— Tá tentando puxar assunto comigo agora? Vai me oferecer conselhos de carreira?
— Talvez — ele sorriu de canto. — Ou talvez só esteja tentando conhecer melhor a mulher que anda ocupando demais os meus pensamentos.
Ela parou de novo. Soltou um riso curto e incrédulo, sem sequer virar para ele.
— Por que tá me analisando agora? Vai me dar um relatório depois?
— Não. Mas talvez eu possa te ajudar.
Francine se virou, agora de frente pra ele. A expressão era um misto de ironia, dúvida e… curiosidade.
— E o que você ganharia com isso?
— Nada — ele respondeu rápido demais.
Ela riu de verdade, dessa vez.
— Ah, claro. Porque Dorian Villeneuve é um filantropo agora.
Ele abriu os braços como quem não tinha culpa de nada.
— Vai ver estou apenas amadurecendo. Descobrindo novas facetas.
— E eu sou o quê? Um espelho de bolso pra você testar essas “facetas”?
— Você é um enigma. E eu gosto de resolver enigmas.
Francine cruzou os braços, mas o sorriso ainda estava nos lábios. Ela limpava as molduras da estante pensativa quando ouviu a voz dele cortar o silêncio:
— Eu vi você numa revista outro dia.
Ela nem se virou, só continuou com o pano nos dedos.
— Parabéns. Deve ser uma sensação nova pra você ver outras pessoas estampando capas.
— Não era capa. Era uma matéria sobre vestidos de gala. E você usava o mesmo vestido daquela noite.
Ela congelou por um segundo, ainda de costas. Depois se virou devagar, os olhos semicerrados.
— E onde exatamente você estava pra tropeçar numa revista dessas?
Dorian cruzou os braços, recostado na poltrona com um meio sorriso.
— No dentista. Enquanto esperava, peguei uma daquelas revistas velhas de consultório. E lá estava você. Página dupla.
Ela o encarou por um segundo, tentando decifrar se aquilo era só charme ou algo mais.
— Você não sabe o que tá fazendo, Dorian.
— Sei sim. Tô jogando limpo.
Ela riu, mas no fundo… sentiu o chão dar uma leve balançada. Ele não fazia ideia do quanto ela queria voltar. Do quanto esse elogio, vindo dele, a abalava.
Mas ela fingiu que não era nada.
Francine terminou de alinhar a última almofada da cama e se virou para ele, a postura firme como uma armadura.
— Terminei a limpeza, senhor. Deseja mais alguma coisa?
Dorian se levantou da poltrona com a calma de um predador que já decidiu a presa. Seus passos foram silenciosos até parar bem diante dela.
Para uma modelo, Francine era alta. Mas ali, na frente dele, parecia baixinha.
“Meu Deus, ele era grande assim mesmo?” Pensou com o coração acelerado.
Dorian a encarava como se enxergasse além da postura, além da provocação. Como se enxergasse o coração acelerado que ela tentava esconder.
Levantou o queixo dela com dois dedos, suave, firme, inegável.
E com os olhos cravados nos dela, disse:
— Eu desejo você.

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