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Casamento Secreto com o meu Chefe romance Capítulo 159

Laura Stevens –

O ar na sala parecia pesado, carregado por tudo o que não foi dito, por todas as feridas abertas ao longo dos anos.

Christian estava sentado ao meu lado, com sua presença firme e imponente como sempre, mas era o homem diante de nós que tornava tudo mais difícil.

Meu pai.

O homem que me olhava agora com os olhos marejados, completamente comovido, como se finalmente estivesse enxergando algo que passou a vida toda ignorando.

Ele deu um passo hesitante à frente e então, sem pensar duas vezes, caiu de joelhos diante de mim, me deixando surpresa.

— Filha... — Sua voz saiu trêmula, carregada de dor. — Eu sinto muito.

Aquelas palavras ecoaram pela sala, mas não aliviaram a dor que pulsava dentro do meu peito.

Ele segurou minha mão com força, como se tivesse medo de que eu desaparecesse diante dele.

— Eu... Eu negligenciei você, minha própria filha. — Seus dedos apertaram os meus, e ele abaixou a cabeça, como se não tivesse coragem de me encarar. — Eu não sabia o que fazer quando vi aquela criança...

Meu coração bateu dolorosamente.

— E então? — Minha voz saiu carregada de mágoa. — O que te fez mudar de ideia?

Ele respirou fundo antes de me olhar novamente, seus olhos estavam cheios de lembranças.

— Eu ouvi.

Minha testa franziu.

— Ouvi o quê?

— A voz da sua avó me mandando fazer algo por aquele menino. – Disse ele, mostrando-se completamente atordoado.

Minha respiração ficou presa. Eu o encarei, vendo-o se martirizar pela culpa que carregava todos esses anos.

— Eu ouvi minha esposa... Linda... E outra mulher. — Ele fechou os olhos por um momento, como se estivesse revivendo aquele instante. — Falando sobre você. Falando sobre como Ivy estava viva. Sobre como agora você se chamava Laura.

Meu estômago se revirou.

— Você... Acreditou?

Ele negou com a cabeça, um sorriso triste e doloroso curvando seus lábios.

— Não. No começo, achei que era loucura. Que era uma alucinação de uma mulher velha e sofrida... Mas então, tudo começou a se encaixar.

Eu balancei a cabeça, a dor voltando com força total.

— E ainda assim, me negou?

— A única coisa que pude fazer para me redimir... — Ele engoliu em seco, sua voz tremendo com a emoção. — Foi cuidar dessa criança. Fazer por ela o que nunca fiz por você.

As lágrimas escorreram pelo meu rosto.

Eu queria odiá-lo. Queria gritar, mas a dor era maior do que qualquer palavra.

— Você nunca esteve lá. — Minha voz saiu engasgada. — Nem quando eu precisei. Nem quando minha avó precisou. Você negligenciou seu próprio sangue.

Ele abaixou a cabeça novamente, exibindo seus ombros estremecendo.

— Eu sei.

O silêncio caiu entre nós.

Minha garganta ardia, meus olhos queimavam e a dor das lembranças.

— O senhor pode fazer algo. — A voz de Christian soou grave, autoritária. — Pode tentar ser melhor de agora em diante e fazer o bem, já que está tão disposto a mudar.

Meu pai o encarou, sua respiração pesada, os olhos carregados de algo que eu não conseguia decifrar. Então, de repente, ele deu um passo à frente, olhando diretamente para Christian, sua expressão tomada pelo desespero.

— Me aceite aqui! Eu posso ser seu escravo, posso trabalhar para você até o resto da minha vida, mas não me mande de volta...Ou eu serei morto.

O ar foi arrancado dos meus pulmões.

Meu corpo ficou rígido, e então, num reflexo, olhei para Christian, que me devolveu um olhar igualmente confuso.

— Morto? — Minha voz saiu quase em um sussurro.

Ele respirou fundo, passando as mãos trêmulas pelo rosto antes de encarar a nós dois.

— Vocês não fazem ideia de quanto aquela Andressa é perigosa!

Meu estômago se revirou ao ouvir aquele nome.

— O que quer dizer com isso? — Minha voz saiu mais firme, exigindo respostas.

Ele passou a mão pelo cabelo, respirando de forma errática.

— Eu achei que estava lidando com só mais uma mulher sedenta por vingança... Mas não. Ela é muito mais do que isso.

Christian cruzou os braços, sua expressão carregada de desconfiança.

— Explique.

Meu pai hesitou por um segundo, seus olhos cheios de incerteza.

— Se eu contar tudo, não haverá volta.

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