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Casamento Secreto com o meu Chefe romance Capítulo 178

Laura Stevens –

O controle remoto escorregava da minha mão sem que eu percebesse.

A televisão estava ligada há horas, mas só agora as imagens começaram a se fixar como navalhas nos meus olhos. A antiga sede da Müller Group aparecia em chamas de poeira, coberta por ruídos de demolição e sirenes. Máquinas rasgavam concreto como se aquilo fosse só mais uma obra, como se aquele prédio não fosse um marco — Como se não fosse um pedaço do que estávamos vivendo.

O mundo ao meu redor pareceu perder o som. Eu só ouvia meu coração batendo forte.

A câmera tremia. No meio da confusão, um vulto familiar atravessava os destroços. Eu o reconheceria mesmo no fim do mundo.

Christian.

Levei uma das mãos à boca e a outra apertou a barriga, como se isso pudesse proteger o bebê da avalanche de pânico que crescia dentro de mim.

Amanda apareceu atrás de mim, com uma xícara de café que tremia levemente na mão. Ela olhou pra TV, franziu o cenho e ficou em silêncio por um segundo. Um segundo que pareceu uma vida.

— Se fosse há alguns meses atrás... ninguém imaginaria que seria assim. Que o império Müller viraria esse caos.

Ela não disse por mal. Era só a constatação crua de um fim anunciado. Mas eu não consegui engolir a frase.

— Nem me fale — respondi, sentindo o gosto amargo da impotência na boca.

Eu ia dizer mais alguma coisa, mas então ouvi o som que me rasgou mais do que qualquer imagem daquela demolição.

— Mamãe...

Nathan apareceu cambaleando no corredor, com as mãozinhas prensando a barriga e os olhos apertados de dor.

— Tá doendo...

Meu instinto foi mais rápido que meu corpo. Me abaixei com dificuldade por causa da gravidez, tentando envolvê-lo nos braços. Toquei a testa dele e senti.

Quente. Quente demais.

Meu coração deu um tranco.

— Amanda... — minha voz saiu falha. — Ele está com febre.

Ela já estava discando. Não hesitou.

— Vou ligar para o Dr. Sandro agora! – Disse ela com desespero e preocupação na voz.

Nathan chorava baixinho encostado no meu peito, tentando ser forte e aquilo partia meu coração em pedaços invisíveis.

A ligação demorou a completar. Ouvíamos só o som do viva-voz e a respiração ansiosa da Amanda.

— Doutor? É a Amanda. É sobre o Nathan. Ele está com febre alta, dor na barriga... Está muito quente.

A voz do médico veio abafada, como se estivesse em outro planeta.

— Hoje eu estou no ambulatório. Tá cheio por aqui, não consigo sair nesse momento... vocês conseguem vir até mim?

Fechei os olhos por alguns segundos para me manter naquele breve tempo de paz.

Mas o som da porta batendo atrás de mim me fez abrir de novo.

Alto. Seco. Rápido.

O tipo de barulho que não era comum.

Virei devagar.

Fui até a pia novamente, tentando ignorar o nó na garganta, mas senti. Senti que havia alguém ali.

Quando levantei os olhos para o espelho, eu a vi.

Norma.

Parada atrás de mim como um fantasma que nunca aceitou estar morto. Os olhos dela estavam cravados nos meus com tanta raiva, tanta dor, que pareciam querer atravessar minha pele.

Ela deu um passo à frente. Foi quando vi o brilho metálico. Ela segurava uma faca na mão e em seu rosto, dava para ver a raiva estampada.

Eu virei devagar, o corpo inteiro gritando por uma saída, mas não havia. E ela já estava perto demais.

— Vamos sair e conversar. Sem alarde. — A voz dela era baixa, mas afiada como a lâmina que agora estava encostada no meu pescoço. — Caso contrário, eu cuido de fazer o serviço que ninguém até hoje teve coragem de terminar.

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