Laura Stevens –
As contrações vinham como ondas violentas e a cada nova dor, parecia que o chão fugia debaixo dos meus pés.
Amanda tentava se manter firme, mas eu sentia o desespero nos olhos dela. Cada vez que eu apertava sua mão no banco do carro, ela soltava um suspiro trêmulo e dizia:
—Já estamos chegando, aguenta só mais um pouco…
Mas não era só o corpo que doía.
Era o coração.
A alma.
A ferida aberta que queimava mais do que qualquer contração.
Ele deveria estar aqui, mas ele estava em outro lugar.
Com outra.
A mão que deveria estar segurando a minha, estava tocando outra mulher naquele maldito avião.
Não era só ausência. Era traição. Era mentira. Era covardia.
Quando chegamos ao hospital, fui recebida por uma equipe médica que já estava em prontidão. Amanda gritava instruções, entregava documentos, e eu... eu só gemia, já sem conseguir falar, tentando manter os olhos abertos.
Fui colocada em uma cadeira de rodas e levada às pressas.
Tudo ao meu redor parecia girar em câmera lenta — luzes brancas passando por cima da minha cabeça, vozes abafadas, uma enfermeira dizendo “vai ser um parto prematuro, chamem o obstetra agora!” e o som constante do meu coração batendo no monitor.
Amanda mantinha seus olhos atentos sobre mim pelo lado de fora do vidro. Seus olhos diziam tudo que ela não conseguia falar: “Você é forte. Você vai conseguir.”
Mas eu não queria ser forte.
Eu queria que ele estivesse aqui.
Queria aquela mão que me prometeu nunca soltar.
Queria aquele olhar que dizia que eu era “a casa dele”.
E agora, aquela casa estava vazia e com medo.
—Laura, vamos precisar acelerar. Seu colo está com dilatação total. Precisamos ir agora para a sala de parto. — A médica me olhou nos olhos com seriedade. —Você está pronta?
Eu fechei os olhos. Uma lágrima quente escorreu, se perdendo no lençol.
—Eu estou... — sussurrei sem forças e então, não demorou muito até que corressem comigo.
E então, eu fui.
A sala de parto era fria demais. Cheirava a antisséptico e tensão. As contrações vinham em ondas tão curtas que mal me davam tempo de respirar.
—Força, Laura. Você está indo muito bem! — Disse uma das enfermeiras, enquanto a médica se posicionava entre minhas pernas.
“Bem”? Não existia “bem” naquilo.
Era doloroso, era desesperador e também, era amor.
Eu sentia Tereza. Sentia cada centímetro dela tentando vir ao mundo, mesmo antes do tempo. Como se soubesse que eu precisava dela agora mais do que nunca.
—Você consegue, Laura. Já consigo ver a cabeça da bebê. Empurra mais uma vez!
Fechei os olhos. Imaginei o rostinho dela. Imaginei segurando-a no colo.
Amanda apareceu do lado da cama, com os olhos marejados. Ela sorriu, emocionada e sussurrou:
—Ela é linda… Bem-Vinda princesa! – Disse ela com o timbre mais doce do mundo, me olhando e sorrindo.
Assenti, exausta, mas com o coração pulsando em um lugar que eu pensei que tinha morrido.
—Obrigada… — Falei para ela. —Obrigada por estar aqui… Por me respeitar a minha opinião, mesmo sendo difícil também para você!
Ela segurou minha mão com carinho e disse:
—Somos amigas, Laura. Eu só estou aqui para te lembrar disso. Eu não vou te abandonar e não poderia perder essa benção de novo. Parabéns, amiga!
Olhei para Tereza mais uma vez, e então sussurrei só para mim:
—Você é o meu novo começo. O recomeço que não depende de ninguém… só do nosso amor.
Naquele momento, percebi que Christian tinha me deixado. Não naquele avião. Mas bem antes.
Eu só fui a última a perceber.
E tudo bem.
Porque agora eu tinha a minha razão.
A minha casa era o corpo pequeno e quente que dormia sobre meu peito.
Meu lar, meus filhos, meu mundo.
Tereza e Nathan. Tudo é por eles!

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