Capítulo 10
O som da porta se fechando atrás de si trouxe a Eloise um alívio estranho, como se finalmente pudesse respirar sem o peso do olhar afiado de Augusto sobre seus passos. Aquele dia havia sido longo — intenso demais para o que ela estava preparada.
Largou a bolsa sobre a cadeira da cozinha e começou a guardar as compras que havia passado no mercado antes de voltar. Tudo simples. Prático. A rotina era sua forma de manter os pés no chão, de não se deixar arrastar pelos jogos perigosos de homens como Augusto Monteiro.
— Pai? — chamou ao passar pela sala.
Ele estava sentado na poltrona, olhando para o nada, como quem carregava pensamentos demais.
— Oi, filha — respondeu, tentando sorrir. Mas havia algo diferente em seu olhar. Um traço de dúvida. De preocupação.
Ela não quis forçar. Apenas seguiu para a cozinha, prendendo o cabelo e abrindo a panela com um gesto automático. A água já estava para ferver.
“Macarrão com molho madeira...”, murmurou sozinha, como se invocasse a mãe. A saudade apertava nos pequenos rituais. Era ela quem fazia aquele molho especial nos domingos preguiçosos, rindo alto e reclamando das louças.
Preparou tudo com calma, deixando o cheiro do refogado invadir a casa. O pai apareceu na porta da cozinha, silencioso, observando-a mexer o molho.
— Vai jantar comigo hoje? — ela perguntou com um sorriso.
— Claro — ele respondeu, mas havia algo em sua voz. Hesitação.
Na mesa, a conversa demorou a sair. O pai observava cada gesto da filha como se tentasse juntar peças soltas.
— E o seu dia? — ele perguntou, como quem tentava ser casual.
— Corrido... mas tudo certo. E o seu?
Ele hesitou. Passou a mão na barba por fazer e então soltou, num tom baixo, como quem mede as palavras:
— Eloise... Quem era o homem com quem você estava hoje no restaurante?
Ela parou o garfo no ar.
— Nicole contou pra sua tia Carla. Disse que viu vocês dois juntos, que... estavam se agarrando. Disse que você está... tentando dar um golpe num homem rico e outras coisas indecentes.
Eloise largou o garfo devagar no prato. O cheiro do molho madeira ainda pairava no ar, mas o apetite já tinha se esvaído. Olhando para o pai com calma, sabia de onde vinha aquela pergunta. Sabia também que ele merecia uma resposta clara.
— Pai é meu chefe, Augusto Monteiro
O pai manteve o olhar fixo nela, atento.
Augusto Monteiro.
Por que aquele nome parecia crescer, ocupar espaço demais nos seus dias... e agora, também nas suas noites?
Ela recostou-se nos travesseiros, puxando a manta sobre as pernas, e sua mente voltou para a frase dele, dita com tanta naturalidade:
"Você vai me acompanhar."
O jantar era só na sexta. Ainda faltavam dois dias. Mas a ideia de estar ali, diante de toda a alta sociedade, ao lado dele, a fazia questionar coisas que nem queria nomear.
Suspirou fundo. Precisava de um vestido à altura. Algo elegante, sóbrio... e discreto. Que não chamasse atenção demais, mas também não deixasse dúvidas de que ela pertencia àquele ambiente. Mesmo que por uma noite.
Era isso, um evento. Uma obrigação de trabalho. Era isso o que precisava lembrar.
Mesmo que uma parte dela, pequena e incômoda, dissesse que não era só isso.
Fechou os olhos. Amanhã seria mais um dia. E ela precisava manter o controle.
Sempre precisa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...