Capítulo 11
A sexta-feira chegou.
Na manhã seguinte, Eloise despertou antes mesmo do despertador. O sol ainda não havia se decidido entre nascer ou se esconder atrás das nuvens, e o quarto estava mergulhado em uma penumbra suave. Sentada na beira da cama, ela passou as mãos pelo rosto, tentando afastar os vestígios do cansaço — físico e emocional.
Na cozinha, preparou café em silêncio, os pensamentos já no escritório, na agenda do dia… e no jantar...
Era isso. Um evento de trabalho. Uma obrigação profissional. Repetia essa frase mentalmente como uma âncora, tentando impedir que a mente divagasse para lugares que não devia — como o jeito que Augusto a observava em silêncio, ou a forma como sua presença preenchia qualquer sala em que entrava.
O cheiro de café fresco começava a preencher o ar quando a campainha tocou. Eloise franziu a testa, olhando para o relógio. Ainda nem eram sete da manhã.
Quem seria a essa hora?
Secando as mãos no pano da pia, ela foi até a porta. Do outro lado, um entregador uniformizado segurava duas caixas elegantes — uma preta e uma dourada, com laços impecáveis e um cartão pequeno.
— Entrega para a senhorita Eloise Nogueira — disse, estendendo a prancheta para assinatura.
— Obrigada… — ela murmurou, assinando.
Fechou a porta e levou as caixas para a mesa da cozinha. O pai, que acabara de acordar, apareceu no corredor com expressão sonolenta e confusa.
— Está tudo bem? — ele perguntou.
— Sim, só uma entrega do escritório — mentiu rapidamente, deixando as caixas ali e desviando o olhar.
Mas por dentro, o sangue já começava a ferver.
Assim que ficou sozinha novamente, abriu a maior caixa. O vestido era absolutamente deslumbrante. Preto, de tecido nobre, com um ombro só — uma manga longa cobrindo todo um braço, enquanto o outro lado deixava o ombro nu, em um corte elegante e provocante ao mesmo tempo. A fenda lateral deixava claro que era uma peça de impacto.
Dentro da caixa menor, um par de saltos finos dourados, delicados e sofisticados. Um brilho discreto, de puro luxo.
O cartão preso à fita dizia apenas:
“Para estar à altura.”
— A. Monteiro.
Dez mil reais o vestido. Sete mil o sapato.
Dezessete mil reais em roupas. Para uma noite. Uma noite que nem era dela.
Eloise fechou a caixa com raiva contida, respirando fundo. O pai continuava observando do outro cômodo, em silêncio, e ela sentia que tinha deixado mais dúvidas do que respostas.
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No escritório, já vestida com seu conjunto neutro de trabalho, Eloise entrou na sala de Augusto com a pasta de relatórios nas mãos, a postura firme, mas o olhar carregado.
Ele estava sentado, digitando no notebook, como se nada tivesse acontecido.
— O relatório da construtora — disse ela, pousando a pasta sobre a mesa dele com mais força do que o necessário.
Augusto levantou os olhos, vagarosamente, estudando o rosto dela.
— Chegou cedo — comentou, com leveza.
— O vestido também — retrucou, controlando o tom da voz. — E os sapatos.
Ele apenas ergue uma sobrancelha, curioso.
— O que exatamente o senhor quer que eu diga ao meu pai? Ou à minha consciência? Que o meu chefe decidiu me dar um vestido de dez mil reais e um par de sapatos de sete mil... por trabalho?
Augusto fechou o notebook com calma, sem pressa.
— Você está exagerando.
— Exagerando? Augusto... — ela deu um passo à frente. — Você tem ideia do que é esse valor? Quantas pessoas dariam tudo por esse dinheiro para pagar um hospital, uma cirurgia...?
— E mesmo assim — ele interrompeu, com a voz baixa e firme —, você vai usar o vestido.
Ela o encarou, olhos faiscando.
— Por quê?
Ele se recostou na cadeira, entrelaçando os dedos e apoiando os cotovelos na mesa.
— Porque ao meu lado, em um jantar da alta sociedade, você precisa estar à altura. Não posso levá-la com um vestido qualquer de loja de departamento, por mais que você saiba usá-los com maestria.
Ela precisava ver que ele estava bem. Que havia seguido em frente com algo — alguém — muito melhor. Eloise seria sua cartada perfeita. Uma mulher que transbordava atitude, beleza e mistério. Uma mulher que não era moldável. Exatamente o oposto de Thamires.
Se Thamires achava que ele ficaria arrasado, então ela veria. Veria com os próprios olhos que Augusto Monteiro nunca perde. Ele revida. Com classe, silêncio e precisão.
Voltou-se para o centro da sala, mas parou ao lembrar de um detalhe. Um acessório. Algo que faltava.
O vestido estava perfeito, mas precisava de algo a mais.
Algo que completasse a obra-prima que era Eloise Nogueira vestida para impressionar.
Pegou o telefone fixo e discou diretamente para um número que só usava em ocasiões especiais.
— É Augusto Monteiro. Quero falar com o senhor Leclerc — disse, objetivo.
Poucos segundos depois, a voz educada do joalheiro surgiu do outro lado.
— Senhor Monteiro, sempre um prazer. Em que posso servi-lo?
— Preciso de um colar. Algo exclusivo. Rubis. Pequenos, mas marcantes. Discretos o suficiente para elegância, intensos o bastante para causar impacto.
— Claro. Algum modelo específico?
— Um desenho assimétrico. Moderno. Algo que destaque... olhos ferozes.
Augusto encarava agora seu reflexo na janela, o rosto sóbrio, a mente em chamas.
— Pode usar ouro branco. E quero que a peça fique pronta até sexta à tarde. Enviem junto com a caixa preta, no horário combinado.
— Como desejar. Será feito com prioridade máxima.
Ele desligou sem mais uma palavra.
Sabia o que estava fazendo. Sabia os riscos. Mas também sabia que, naquela noite, Eloise Nogueira brilharia ao seu lado como nunca antes.
E Thamires...
Bem, Thamires teria exatamente o que merecia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...