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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 100

Jogo Perigoso.

Augusto ouvia em silêncio. As palavras dela entravam, mas não o tocavam. Ele também já havia se feito aquelas perguntas milhares de vezes — também já havia relembrado viagens, risos e os dias em que acreditava que tinha tudo. Mas nada, absolutamente nada, era capaz de apagar a cena que o destruiu: a traição.

Thamires continuava o espetáculo. Entre goles de whisky, a voz foi ficando embolada, os olhos marejados, as mãos trêmulas. Parecia vulnerável. Parecia frágil.

Quando Augusto se levantou, cansado da encenação, ela fez o mesmo. Cambaleou até ele, apoiando-se em seu braço como se fosse a única âncora que ainda lhe restava.

De dentro da bolsa, pegou a chave do carro, fingindo seguir para o estacionamento.

— Vai conduzir? — Augusto perguntou, a voz grave, observando-a vacilar nos saltos.

Ela balançou a cabeça, rindo sem humor. Mal conseguia se manter de pé.

— Quer se matar, Thamires? — ele retrucou, ríspido, os olhos estreitos.

Ela virou o rosto para ele, o sorriso manchado de lágrimas, a voz embargada.

— Talvez… — sussurrou. — Porque só assim… só assim a dor que eu sinto no peito vai passar.

O carro avançava pela avenida, as mãos de Augusto firmes no volante, o maxilar travado pela impaciência.

Thamires, ao lado, oscilava entre soluços falsos e risadinhas embargadas. A cada curva, inclinava-se mais contra ele, os dedos vagando pelo braço dele.

— Você ainda é o mesmo… — murmurou, arrastada. — Forte… protetor… meu Augusto…

Ela tentou levar os lábios até a mão dele, mas Augusto afastou de imediato, o olhar gelado.

— Não se engane. — disse, a voz grave, carregada de desprezo. — Só estou te levando porque não vou carregar a sua morte como peso nas minhas costas.

Por um instante, ela o fitou com olhos marejados — mas logo a cabeça tombou de lado, fingindo adormecer.

Augusto respirou fundo, os dedos tamborilando no volante, tentando controlar a raiva. O silêncio no carro era pesado, cortado apenas pelo som do motor.

Quando entrou no estacionamento subterrâneo, percebeu que o porteiro ainda o reconhecia. O portão abriu-se sem resistência.

Um gosto amargo lhe subiu à boca.

Ainda tinha passe livre na vida dela, mesmo quando tudo nele gritava que não deveria.

Estacionou e desligou o motor. Virou-se para ela.

— Thamires. — chamou, seco.

Nada.

— Acorda. — repetiu, mais firme, sacudindo de leve o ombro dela.

Ela apenas murmurou algo incompreensível, a cabeça pesando, o corpo mole.

Augusto fechou os olhos por um segundo, pressionando a ponte do nariz. Odiava aquilo. Odiava a sensação de estar sendo manipulado.

Mas odiava ainda mais a ideia de abandoná-la naquela condição.

Abriu a porta, contornou o carro e a ajudou a sair. Thamires se apoiou inteira contra ele, as pernas trôpegas, a respiração quente contra o pescoço dele.

— Chega, Thamires. — disse firme. — Isso não funciona mais comigo.

Virou-se, pronto para sair, mas novamente ela o segurou pelo braço, desesperada.

— Me dá uma segunda chance! uma chance para gente Augusto — implorou, a voz embargada. — Só uma. Se depois disso você ainda tiver certeza que não me quer… eu juro que vou respeitar a sua decisão.

O olhar dela queimava em desespero, mas também em estratégia. Era o último truque.

Augusto a encarou em silêncio, o maxilar travado, os olhos verdes faiscando não de desejo, mas de raiva e desencanto.

— Você ainda não entendeu, Thamires. — respondeu, baixo, cada palavra carregada. — O que acabou… acabou.

Augusto puxou o braço com força, libertando-se do aperto dela. E, sem olhar para trás, caminhou em direção à porta. Nem esperou o elevador. Abriu a porta do corredor e desceu pelas escadas, os passos firmes ecoando como marteladas no silêncio do prédio.

Thamires ficou parada por um instante, o peito arfando, os olhos ardendo em fúria. Então girou nos próprios calcanhares e bateu a porta com violência, o estalo reverberando pelo apartamento vazio.

— Merda! — gritou, a voz embargada de raiva. — Merda, merda!

Andou de um lado para o outro, como uma leoa enjaulada, sem resquícios nenhum de embriaguez. O vestido no chão e o corpo ainda coberto pela lingerie branca escolhida a dedo. A respiração vinha em soluços descontrolados até que ela parou diante do espelho da sala.

Se olhou nos olhos refletidos no espelho não havia dor, nem amor. Só a fúria fria de uma mulher que não aceitava perder

Respirou fundo e forçou um sorriso frio.

— Respira, Thamires. — murmurou, encarando o próprio reflexo. — Isso foi só o começo. Você perdeu a batalha… mas não a guerra.

O olhar refletido devolveu a ela a imagem da verdadeira Thamires Santana: não a mulher vulnerável, mas a estrategista impiedosa, pronta para o próximo movimento.

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