Heranças Amargas.
José Monteiro encarava o papel em suas mãos como se fosse uma sentença.
“Compatibilidade: 99,9%.”
O ar pesou. O mundo girou.
O nome ecoava como uma maldição.
Ele fechou os olhos por um instante, mas a memória o arrastou de volta ao passado.
Márcia.
Não eram lembranças doces. Não havia paixão.
O que lhe vinha à mente era a risada calculada, o brilho ganancioso nos olhos, a maneira como sempre parecia medir as pessoas pelo que poderiam lhe oferecer.
Nunca bastava. Nunca era suficiente.
E agora… descobria que dessa mulher viera um filho.
O peito de José se apertou. O DNA não deixava margem para dúvida.
Era sangue do seu sangue.
Ele folheou o relatório novamente, como se pudesse achar um erro, mas a informação estava lá: Márcia Cruz, hoje registrada como Márcia Mello.
Um detalhe que parecia pequeno, mas para ele gritava: mudança de nome era sempre tentativa de apagar algo… ou esconder um passado.
— Gananciosa, até hoje tentando mudar de pele como uma cobra, mas nunca deixando de ser quem sempre foi. — murmurou, a voz áspera. — Maldita... Continua a mesma.
José fechou o envelope com força, os nós dos dedos brancos.
Sabia que, essa verdade não poderia vir à tona.
Um risco real: Ele querer o lugar de Augusto.
Ele respirou fundo, tentando conter a raiva que queimava no peito.
Não era apenas o passado que voltava.
Era uma peça inteira do tabuleiro que, de repente, se movia de novo.
Ele sabia: nada de bom viria de Márcia.
José Monteiro mal teve tempo de fechar a gaveta. O envelope com o relatório de DNA ficou escondido sob outros papéis, abafando a verdade que ele não estava pronto para digerir.
A porta se abriu sem cerimônia.
Não fazia ideia das teias de mentira que se armavam ao redor, nem das xícaras de café que ainda descansavam na sala de Eloise como um lembrete de que nada era o que parecia.
Para ele, Thamires Santana, naquele instante, parecia sincera.
Ele expirou lentamente, apoiando as mãos sobre a mesa. O semblante austero carregava algo de julgamento, mas também de decisão.
— Eu nunca vou voltar a impor nada a Augusto. — disse, firme. — Ele sempre faz as próprias escolhas e vou respeitar isso. Mas uma coisa eu deixo claro, Thamires: eu não quero Eloise perto do meu filho. Essa garota… é ambiciosa.
Thamires conteve o sorriso, mas os olhos brilharam em triunfo.
José continuou:
— Se for preciso, eu vou apoiá-la. — disse, direto. — Mas não espere que eu vá impor algo ao meu filho. Se quiser estar ao lado dele, terá que conquistar isso sozinha.
Ela assentiu, num gesto calculado de submissão.
— Eu só precisava saber que não estou sozinha nessa. — sussurrou. — Obrigada, tio.
José a observou sair, e por um instante, o silêncio tomou conta da sala novamente. Ele abriu a gaveta e encarou o envelope do DNA. A respiração ficou pesada.
Thamires acreditava que tinha ganhado um aliado.
Mas José Monteiro sabia: o passado ainda pesava demais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...