Entre Sorrisos e Facas.
De longe, Augusto a observava. O vestido vermelho colado ao corpo, as costas nuas, o perfume exagerado… Ela caminhava pelo salão como se o mundo fosse seu palco.
Por um instante, a lembrança veio, incômoda e amarga: como um dia pôde amar alguém assim?
Thamires Santana. Uma mulher que se exibia sem pudor, como se o brilho fosse suficiente para esconder o vazio.
Thamires, por sua vez, deslizava entre olhares e cumprimentos, saboreando a atenção que arrancava sem esforço. Estava pronta para se aproximar de Augusto — quando algo chamou sua atenção.
Um rosto conhecido.
Os lábios pintados de vermelho curvaram-se num sorriso lento, venenoso.
— Ora, ora… — murmurou para si mesma, os olhos faiscando. — O universo realmente conspira a meu favor. Essa noite promete.
E então, entre as taças de champanhe e os risos ensaiados, ela avistou a garçonete que caminhava pelo salão, equilibrando uma bandeja prateada.
Eloise.
Thamires caminhava pelo salão como se cada passo fosse um espetáculo ensaiado. O vestido vermelho cintilava sob as luzes douradas, arrancando olhares e cochichos. Mas os olhos dela tinham apenas um destino: Augusto Monteiro.
Ela se aproximou com a confiança de quem acreditava conhecer cada fraqueza dele. O sorriso era doce, mas nos lábios pintados de vermelho escondia-se veneno.
— Augusto… — murmurou, suave, quase íntima. — Que bom lhe ver.
Ele ergueu os olhos devagar, o maxilar travado. A presença dela trazia lembranças indesejadas, um passado que preferia enterrar. Ainda assim, o homem impecável que ele era não demonstraria fraqueza em público.
— Thamires. — respondeu apenas, a voz grave, polida, mas fria.
Ela não se intimidou. Pelo contrário, inclinou-se levemente para frente, como quem compartilhava um segredo.
— Quero te apresentar alguém especial. — disse, deslizando o olhar pelo salão até fixar-se em um homem de terno escuro que se aproximava. — Este é Caio Ferraz, o novo queridinho do mercado.
O jovem CEO estendeu a mão a Augusto com um sorriso confiante, quase presunçoso.
— Um prazer finalmente conhecê-lo, senhor Monteiro.
Augusto apertou a mão dele com firmeza, analisando-o com olhos de predador.
Thamires não perdeu tempo em completar, a voz melodiosa ecoando pelo salão:
— Caio é o cérebro por trás da Ferraz Motors, a empresa de carros de luxo que está revolucionando o setor. Ele está lançando um projeto que une carros autônomos e tecnologia de ponta. Imagine só… seria fantástico unir isso com a força da Monteiro Corp.
Augusto ouviu em silêncio. Por dentro, a irritação queimava. Sabia que Thamires adorava esse papel de “ponte social”, de mulher que ainda tentava se colocar ao lado dele para parecer indispensável.
Mas, diante da plateia, ele não tinha escolha. Era Augusto Monteiro, o implacável. O CEO que carregava um império nas mãos. E precisava fazer jus ao nome que o mercado lhe dera.
Um sorriso polido se desenhou em seus lábios.
O toque dela queimava como ferro em brasa.
Mas em público… ele não podia simplesmente afastá-la.
— Monteiro, e quanto à integração de IA nos novos modelos de automóveis? — um dos empresários questionou, animado.
Augusto respondeu com firmeza, desviando-se da presença sufocante de Thamires.
Falava de projeções, riscos e estratégias, mas cada palavra saía seca, carregada de um autocontrole que só ele sabia quanto custava.
Enquanto isso, a poucos metros dali…
Eloise caminhava com uma bandeja cheia de taças de champanhe. O uniforme preto realçava a delicadeza de seus traços, mas os pés doíam dentro dos saltos simples. O peso da bandeja parecia multiplicado pelo cansaço dos últimos dias.
A música misturava-se às conversas, e as luzes do salão criavam sombras que confundiam a vista. Eloise caminhava quase no automático, sustentando um sorriso educado que escondia o caos dentro de si.
O coração dela carregava o peso de um mundo inteiro.
Sem prestar atenção, seguiu em direção à mesa alta, apenas mais uma entre tantas. Não percebeu as silhuetas imponentes reunidas em torno dela.
Não percebeu o olhar que, em segundos, iria encontrá-la.
Nem que o destino estava prestes a obrigar os dois mundos — o dela, despedaçado, e o dele, sufocado — a colidirem outra vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...