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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 109

O Estrago

A bandeja de champanhes tremia levemente nas mãos de Eloise.

O uniforme preto era só mais uma máscara naquela noite — tão pesado quanto o sorriso educado que ela forçava.

Ela se aproximou da mesa alta, onde risadas abafadas e taças já meio vazias denunciavam a conversa animada dos CEOs. Sem erguer muito os olhos, ofereceu a primeira taça.

— Champanhe, senhor? — murmurou, a voz controlada.

Thamires virou-se de imediato, com aquele sorriso felino que exibia sempre que queria chamar atenção.

— Aceito. — disse, estendendo a mão para a taça.

Foi nesse exato instante que a luz do salão girou, refletindo em cristais e passando pelo rosto de Augusto.

Eloise congelou.

O ar saiu de seus pulmões.

Ela não acreditava no que via.

Ali, a poucos centímetros, estava ele.

Augusto Monteiro.

O homem que a havia destruído em palavras.

O homem que ela amava apesar de tudo.

Por um segundo eterno, o mundo ao redor desapareceu. Só havia o olhar dele — tão surpreso e feroz quanto o dela, cheio de uma dor não dita.

Foi quando Augusto, num momento de loucura ou vingança, deixou a mão deslizar por trás das costas de Thamires, pousando firme na cintura dela.

Tudo pareceu acontecer em câmera lenta.

O toque calculado, o sorriso de Thamires se ampliando como quem vencia um jogo, e Eloise… acompanhando cada detalhe como se o coração fosse se despedaçar ali mesmo.

Sem respirar, ela depositou a taça sobre a mesa, recuou um passo e virou-se.

Saiu em passos rápidos, quase em fuga, tentando segurar as lágrimas que já queimavam em seus olhos.

Augusto sentiu o impacto no peito. O peito ardia como se tivesse levado um soco invisível.

Em um reflexo imediato, retirou a mão da cintura de Thamires, como se tivesse tocado fogo. O olhar dele buscou o vulto de Eloise se afastando pelo salão.

Por segundos, a vontade de correr atrás dela foi maior do que tudo.

Explicar, negar, pedir que ficasse.

Mas a razão, fria e impiedosa, o puxou de volta.

“Ela traiu.”

As palavras queimaram como ácido.

E Augusto Monteiro ficou parado, imóvel, com a certeza amarga de que o estrago já estava feito.

Eloise entrou às pressas por uma porta lateral, sem sequer notar para onde ia. O corredor estreito a levou até uma pequena sala de estoque, repleta de caixas de bebida e prateleiras abarrotadas de copos. O cheiro de álcool e papelão a envolveu, mas ela mal percebeu.

Encostou-se à parede, deixou a bandeja escorregar de suas mãos e, enfim, desabou.

As lágrimas vieram violentas, soluços que sacudiam seu corpo frágil. A imagem ainda queimava em sua mente: Augusto com a mão na cintura de Thamires. A ferida já aberta se transformava em abismo.

Ela levou as mãos ao rosto, tentando conter o choro, mas era impossível. Sozinha, despedaçada, parecia não haver nada que a sustentasse.

Não estava tão sozinha quanto pensava.

Emma Rocha tinha visto. Da mesa, acompanhara cada detalhe: a entrada de Eloise, a luz revelando Augusto, o gesto cruel, e a fuga em prantos. Sem pensar, seguiu seus passos discretos até encontrá-la.

Abriu a porta devagar.

O som dos soluços ecoava no pequeno espaço. Emma respirou fundo, como se buscasse coragem, e entrou.

Por um instante, Eloise não percebeu. Mas quando ergueu o rosto, com os olhos vermelhos e marejados, encontrou a figura inesperada de Emma diante dela.

Sem forças para brigar, Eloise apenas assentiu.

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No carro, o silêncio foi quebrado pela tentativa de Emma de puxar assunto.

— Seu pai… ele está em casa?

Eloise mordeu o lábio e balançou a cabeça em negativa, os olhos marejando outra vez. O choro voltou, mais contido, mas igualmente doloroso.

Emma apertou o volante, sem saber o que dizer. A sensação de impotência a corroía.

Até que, num impulso, pegou o celular no suporte e fez uma chamada rápida.

— Nathalia?

A voz da amiga explodiu do outro lado, aflita:

— Emma? Como assim você está com a Eloise? O que aconteceu?

Emma respirou fundo, mantendo os olhos na estrada.

— Eu explico depois. Vou te mandar o endereço do meu apartamento. Encontra a gente lá.

— Emma, me fala agora! — a ansiedade de Nathalia transbordava.

— Não dá, Nathy. — interrompeu, firme. — Só confia em mim. Eloise até queria ir para casa, mas eu não vou deixá-la sozinha hoje. Não depois do que ela viu.

Nathalia silenciou por alguns segundos. Então, apenas concordou:

— Me manda o endereço. Estou indo.

Emma encerrou a ligação e lançou um olhar rápido para Eloise, que observava a cidade pela janela, perdida em lágrimas silenciosas.

No coração de Emma, uma certeza: aquela noite mudaria tudo. E Augusto Monteiro se arrependeria das próprias escolhas.

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