Capítulo 12 - O jantar entre o caos.
O dia do jantar chegou sem alarde. Eloise mergulhou nas tarefas com foco absoluto, como se cada e-mail respondido e cada planilha revisada fosse uma forma de ignorar o peso do que viria à noite. Augusto também parecia absorto, trancado em sua sala, sem chamá-la ou provocá-la como de costume. O clima era profissional, silencioso... tenso.
Por volta das 14h, a porta da sala dele se abriu. Augusto surgiu com sua postura impecável e olhar indecifrável. Aproximou-se da mesa dela e pousou uma pequena caixa de veludo preto sobre a agenda.
— Pode se liberar. Vá se arrumar. E leve isso com você. — disse, com naturalidade.
Ela olhou para a caixa como se fosse uma bomba prestes a explodir.
— Já tem o vestido e o sapato. Isso... não faz sentido. — disse, sem tocar na caixa. — Não precisa exagerar.
Augusto manteve o olhar firme, paciente.
— Faz sentido, sim. O vestido pede algo à altura. E você vai usá-lo. — falou, com um tom calmo demais para não ser provocador.
Ela respirou fundo, claramente contrariada. Mas sabia que discutir com Augusto Monteiro era como gritar contra uma muralha.
— Qual o endereço do jantar? — perguntou, tentando manter a compostura.
— Às 19h eu passo para te buscar. — respondeu com firmeza, antes de voltar para sua sala sem esperar por mais nenhuma objeção.
---
Às 18h30, Eloise se encarava no espelho do quarto com uma sensação difícil de descrever. O vestido se moldava ao seu corpo como se tivesse sido desenhado milimetricamente para ela.
Uma segunda pele, preto, elegante, com o corte assimétrico valorizando cada curva sem esforço. A manga longa contrastava com o ombro nu e a fenda lateral revelava apenas o necessário para causar impacto sem vulgaridade. O tecido que deslizava com elegância.
Pegou o colar de rubis colocou-o ao redor do pescoço e viu como a pedra vermelha realçava seu colo e o decote elegante do vestido como se tivesse sido moldado ali, realçando a clavícula, o busto, a imponência silenciosa que ela nem queria admitir estar sentindo. Perfeito. Irritantemente perfeito.
Se sentia invadida, exposta. E ao mesmo tempo... poderosa. Havia uma pequena, incômoda parte dela que adorava se sentir admirada. Que gostava da imagem que via no espelho, mesmo que não quisesse admitir.
Prendeu os cabelos em um coque sofisticado com alguns fios soltos estrategicamente moldando o rosto. A maquiagem destacava seus olhos e o batom nude completava o visual com classe.
Suspirou.
Eloise ajeitou a última mecha solta no espelho da sala e respirou fundo.
Quando desceu os degraus da escada, o salto fino ecoando suavemente no chão. O pai a esperava na sala e arregalou os olhos ao vê-la.— e ficou mudo por um instante.
— Meu Deus... você está... maravilhosa, filha — disse ele enfim, com a voz embargada de orgulho.
Ela sorriu, sem graça.
— É só um jantar de negócios, pai. Com o chefe. Nada demais — tentou dizer num tom leve, como se aquilo fosse rotina.
Mas por dentro, o nervosismo se misturava com raiva contida, orgulho ferido e uma ponta incômoda de insegurança. Sabia que estava linda. Sabia também que Augusto tinha feito questão disso — e esse pensamento a deixava inquieta.
Quando saiu, o carro preto já a aguardava na frente do prédio.
Augusto Monteiro estava encostado na porta, elegante em um terno escuro de corte impecável, gravata ajustada, olhos atentos. Quando a viu se aproximar, perdeu o fôlego por um segundo. Literalmente.
Ela estava... estonteante.
O vestido parecia ter sido moldado no corpo dela, e o colar de rubis cintilava sobre o colo como uma marca registrada de luxo e poder. A postura dela era altiva, os olhos vivos, desafiadores. Uma deusa irritada, pronta para a guerra.
O motorista abriu a porta. Augusto não disse nada. Apenas observou.
Quando ela entrou no carro, ele retomou o controle, silencioso.
— Boa noite — disse, a voz mais grave do que o normal.
— Está linda. — disse baixinho, quase sem intenção.
Eloise apenas assentiu com a cabeça. Por fora, impecável. Por dentro, um vendaval.
O motorista fechou a porta. E, em silêncio, o carro partiu pelas ruas da cidade rumo ao hotel mais elegante da Cidade Norte. A construção imponente pertencia ao senhor José Monteiro, o anfitrião e pai de Augusto, e seria o palco da noite que colocaria muitas cartas sobre a mesa.
Eloise sabia que não seria apenas um jantar.
E Augusto sabia que essa era apenas a primeira jogada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...