O Peso do Orgulho
Augusto saiu do evento sufocado.
O ar do salão parecia pesado demais, carregado de olhares, de sussurros, de uma lembrança que não saía da sua cabeça: o olhar de Eloise ao vê-lo com a mão na cintura de Thamires.
O coração ardia, o peito parecia ter levado um soco invisível.
Mandou o motorista embora e entrou sozinho em um clube privado que frequentava há anos, mas raramente visitava. Ali não havia fotógrafos, nem jornalistas, apenas silêncio caro e discrição comprada a peso de ouro.
Sentou-se em uma mesa de canto, afastada.
— Um whisky. — pediu, a voz grave.
Bebeu em um gole. Pediu outro.
Na terceira dose, a paciência acabou.
— Deixa a garrafa. — ordenou ao garçom, sem olhar nos olhos dele.
O líquido âmbar enchia o copo com rapidez, mas não aplacava o que queimava dentro dele.
— Idiota… — murmurou para si mesmo, passando a mão pelos cabelos. — Como pude confiar? Como pude acreditar?
O copo bateu contra a mesa, o gelo tilintando.
Um segundo depois, a voz dele mudou, cuspida em veneno contra si mesmo:
— E como pude fazer aquilo? Na frente dela… tocando Thamires… — fechou os olhos, o maxilar travado. — Eu mesmo destruí qualquer chance que restava.
Mais um gole.
Mais uma luta interna.
O orgulho gritava que Eloise o havia traído. Mas o coração lembrava do olhar dela, da dor que não parecia de uma culpada.
E Augusto oscilava entre o ódio e a dúvida, entre a fúria e o arrependimento.
Foi então que passos firmes ecoaram pelo salão.
Thiago Albuquerque entrou acompanhado de Heitor Reis e de Thomas Alves, o amigo policial de Thiago.
Os três o avistaram de imediato.
Augusto sozinho, uma garrafa quase vazia à frente, a expressão de um homem em guerra consigo mesmo.
Heitor trocou um olhar rápido com Thiago e Thomas antes de se aproximar.
— O todo poderoso… — disse em tom baixo, puxando uma cadeira. — Nunca pensei que veria você assim.
Augusto ergueu os olhos verdes, faiscando, mas não respondeu. Apenas encheu o copo novamente e tomou outro gole.
Heitor se sentou ao lado, cruzando os braços.
— Então já caiu a ficha que desconfiou da pessoa errada. Ou fez mais besteira.
Thomas ficou de pé, observando com aquele olhar analítico de policial acostumado a ler pessoas.
— Pela cara, diria que segunda opção — completou.
Augusto riu baixo, sem humor.
— Não vieram me dar sermão, espero.
Thiago recostou na cadeira, sério.
— Não, Augusto. Mas a verdade está mais perto do que você imagina.
O silêncio caiu pesado. Augusto franziu o cenho, tentando decifrar as palavras.
Heitor e Thomas se entreolharam, e Thiago concluiu:
— E quando ela aparecer, você vai ter que escolher: o orgulho… ou a Eloise.
Augusto levantou o olhar e respondeu seco:
— Thiago, eu sei o que vi. A verdade já está clara, Eloise entregando algo a Dante Figueiredo. No mesmo dia, a cirurgia do pai dela foi paga. Coincidência? Não existe.
Heitor se inclinou levemente para frente, o rosto sério, a expressão fria como gelo.
— Escuta bem, Augusto. Eu não quero Eloise na minha cama. O que eu tenho por ela é respeito — coisa que você jogou no lixo. — A voz saiu grave, cortante. — Ela está em pedaços por sua causa, e você ainda tem a coragem de se fazer de vítima. Então vou ser claro: não me peça ajuda quando finalmente enxergar a merda que fez. Porque quando esse dia chegar — e ele vai chegar — você vai estar sozinho.
Augusto desviou o olhar, apertando os punhos sobre a mesa.
A gravata estava frouxa, o colarinho da camisa aberto, o cabelo bagunçado como se tivesse passado as mãos nele inúmeras vezes. Os olhos verdes, antes sempre frios e calculistas, agora estavam vermelhos — não apenas pelo whisky, mas pela raiva e pelo peso de tudo que o corroía.
O silêncio ficou denso após as palavras de Heitor, o ar pesado como pólvora prestes a explodir.
Antes que o clima pesasse ainda mais, Thiago bateu de leve no ombro de ambos e abriu um sorriso de canto:
— Pronto, chega de filosofia de boteco. — disse, com aquele tom leve que lhe era característico. — Vamos beber, porque vocês brigando desse jeito vão acabar estragando até o whisky.
A tensão se desfez por um momento. Heitor recostou-se na cadeira, Thomas voltou ao copo, e até Augusto soltou um riso seco, sem humor.
Thiago ergueu o copo com um sorriso leve, quebrando o silêncio pesado.
— Já que o mundo tá desmoronando e cada um aqui tem seus demônios pra encarar… vamos brindar.
Heitor arqueou a sobrancelha, mas levantou o copo também.
Thomas seguiu o gesto, discreto, e até Augusto, depois de alguns segundos de hesitação, ergueu o seu.
— Ao quê exatamente? — murmurou Augusto, com sarcasmo.
Thiago riu de canto.
— Ao óbvio: à merda que cada um de nós tem que resolver. — E completou, em tom brincalhão: — E que pelo menos o whisky continue sendo mais forte que os nossos problemas.
As taças tilintaram, o som metálico ecoando como um pacto silencioso. Por trás dos goles, cada um carregava seus próprios pensamentos e problemas a serem resolvidos.
Augusto levou o copo à boca, mas não brindou de verdade. Engoliu a bebida como quem tenta apagar um incêndio por dentro, sabendo que o fogo só aumentava.
E, enquanto a bebida queimava sua garganta, um pensamento atravessou sua mente como uma sentença silenciosa:
“Eloise… se eu estiver errado, que o inferno me cobre. Mas se eu estiver certo… que Deus a ajude.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...