Marcas Invisível.
O relógio da sala marcava pouco depois das nove quando o som estridente do interfone quebrou o silêncio do apartamento.
As três se assustaram. Eloise e Nathalia, ainda encolhidas no sofá-cama improvisado, piscaram confusas. Emma, com os cabelos desgrenhados e a voz rouca de sono, levantou-se resmungando.
— Alô? — atendeu, tentando clarear a voz.
A voz do porteiro soou pelo alto-falante:
— Senhorita Emma, tem um rapaz aqui embaixo… Lucas Castro.
Emma piscou algumas vezes, a memória despertando de repente.
"Lucas… certo. O rapaz da TI."
Tinha prometido que ele poderia buscar o notebook para manutenção e já era a segunda vez que adiava. Não havia mais como enrolar.
— Pode mandar subir, sim. — respondeu, respirando fundo.
Desligou e voltou-se para as duas.
— É o Lucas Castro, trabalha com a gente na parte de TI. Ele vem buscar meu notebook… desculpem o incômodo.
Nathalia apenas assentiu, ainda sonolenta. Eloise tentou recompor o semblante, ajeitando os cabelos, mas a exaustão da noite anterior ainda pesava em seus olhos.
Poucos minutos depois, bateram à porta. Emma abriu.
Lucas entrou. Jovem, porte ereto, sorriso fácil demais. Trazia sob o braço uma pasta preta e olhava ao redor como quem mapeava cada detalhe.
— Bom dia. — cumprimentou, firme.
Emma fez as apresentações rápidas:
— Essa é Nathalia, e essa… é Eloise.
Lucas inclinou levemente a cabeça em direção a Eloise, os olhos demorando um pouco mais do que o necessário.
— Eloise Nogueira. — repetiu, como se o nome tivesse gosto na boca. — Eu lembro de você.
Ela franziu o cenho, surpresa.
— Lembra?
— Vi algumas vezes nos corredores. — explicou, o sorriso permanecendo, mas os olhos denunciando algo além. — É engraçado… alguns só passam despercebidos. Outros, mesmo quando não querem ser notados, deixam uma marca.
Eloise baixou os olhos, desconfortável. A frase ficou ecoando no ar como um enigma.
Emma, prática, quebrou o silêncio.
— O notebook está no quarto, eu já trago.
Enquanto se afastava, o ambiente ficou impregnado daquela estranha atenção.
Nicole riu, balançando a cabeça.
— Não… não era isso. Não tinha a ver com meu pai. — os olhos dela se estreitaram, a voz caiu quase num sussurro. — Era sobre destruir a Eloise. Tenho certeza.
O silêncio caiu entre eles como um peso.
Lorenzo apagou o cigarro no cinzeiro de cristal e ficou alguns segundos apenas observando o vazio. O maxilar travado denunciava a tempestade por trás dos olhos escuros.
Nicole, distraída, ajeitou os lençóis como se nada demais tivesse dito. Para ela, aquilo era só mais um detalhe.
Mas para Lorenzo… era uma revelação.
O corpo dele permaneceu imóvel, mas a mente girava em chamas:
“Então é isso… a minha sogra está metida em alguma coisa. E não é pequena. Se ela está recebendo dinheiro para armar contra Eloise, preciso descobrir quem está por trás."
Ele não disse nada. Apenas se recostou novamente, o olhar sombrio fixo no teto.
Nicole, satisfeita por ter a atenção dele, se aconchegou sem perceber a mudança no semblante do homem ao seu lado.
Na mente de Lorenzo, uma decisão já estava formada: precisava descobrir quem era a mulher que queria a ruína de Eloise.
Mas não se engane… não havia bondade nesse gesto.
O interesse dele não era salvar a ex-noiva. Era ter poder sobre a situação. Se alguém estava tramando contra Eloise, ele queria ser o primeiro a saber — e usar isso a seu favor, custasse o que custasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...