Fissuras na Mentira
A cabeça latejava como se um martelo batesse em seu crânio.
Augusto Monteiro abriu os olhos devagar, apenas para ser ofuscado pela claridade que entrava pelas frestas da cortina. O corpo pesado, o paletó jogado no chão, a garrafa de whisky vazia sobre a mesa de centro… e ele, largado no sofá, como um derrotado qualquer.
Levou a mão à têmpora, apertando com força. A dor não vinha só da ressaca — vinha da lembrança que queimava por dentro.
Os olhos dela.
Aqueles olhos castanhos marejados, que ele jamais esqueceria.
O momento em que Eloise o viu com a mão na cintura de Thamires.
A dor crua estampada no rosto dela era o reflexo perfeito da dor que ele mesmo carregava no peito.
— Merda… — rosnou baixo, passando as mãos pelo rosto.
Precisava parar com aquilo. Precisava sair desse ciclo de autodestruição. Não era esse o homem que ele tinha prometido a si mesmo ser.
Ele era Augusto Monteiro.
O implacável.
O nome que o mercado temia, o homem que nunca hesitava, que nunca fraquejava.
Não podia continuar permitindo que uma mulher — ou a lembrança dela — o desmontasse daquela forma.
Ainda mais depois de jurar que nunca mais confiaria em nenhuma.
Mas a verdade era cruel.
Não existiria outra como Eloise.
Nenhuma teria aquele jeito de ser inteira e doce ao mesmo tempo, ousada na língua afiada e tímida quando ele menos esperava.
Nenhuma mulher jamais o encarara de frente como ela. Nenhuma tinha conseguido atravessar todas as suas barreiras e se instalar onde ele menos queria: no coração.
Augusto fechou os olhos com força, como se isso pudesse expulsar a imagem dela. Mas bastava um segundo de silêncio para que o sorriso dela, a voz dela, a lembrança dela o invadissem de novo.
E a cada vez, a ferida se abria mais.
A ressaca era só um detalhe.
O verdadeiro veneno era a saudade.
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O escritório de Thomas Alves estava mergulhado em penumbra, iluminado apenas pela tela azulada do computador.
Arquivos pesados piscavam na tela, linhas de código e detalhes de metadados passando diante de seus olhos atentos.
Thiago, inquieto, caminhava de um lado para o outro.
— E então? — a voz dele estava carregada de urgência. — Me diz que tem alguma coisa.
Thomas não respondeu de imediato. Levou mais alguns segundos antes de se inclinar para frente, ajustando os óculos.
— Olha isso. — apontou para a tela.
Thiago se aproximou. A imagem parada do vídeo mostrava Eloise empurrando o envelope pela mesa. Mas o que Thomas indicava não era o gesto em si, e sim… algo por trás.
— O reflexo. — explicou, a voz grave. — Aqui, no vidro da parede. Se ampliar… — ele digitou algumas teclas rápidas, e a imagem estourou em pixels borrados, até formar um vulto. Uma silhueta feminina, diferente de Eloise.
Thiago franziu o cenho.
Thiago se inclinou sobre a mesa, a expressão dura.
— Então consegue mais. O tempo está acabando, Thomas. Eu preciso dessas provas antes que o Augusto destrua completamente a vida dela.
Thomas assentiu, os olhos frios refletindo a tela.
— Vou cavar mais fundo. Mas já adianto: esse jogo está ficando mais sujo do que eu pensei.
Thiago respirou fundo, o coração martelando no peito.
Pela primeira vez em dias, sentia que a verdade estava mais perto.
Mas também sabia: se alguém ousou mexer no vídeo, não mediria esforços para apagar as provas — ou qualquer pessoa que chegasse perto demais.
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Cláudia estacionou diante da Monteiro Corp e entrou com passos firmes. O salto ecoava no mármore, cada batida carregada de propósito. O semblante dela era sereno, mas por dentro queimava a indignação.
Ela não iria descansar até encontrar Eloise — e cobrar de Augusto a injustiça que ele havia cometido.
Subiu até o último andar, onde a porta do escritório de Augusto Monteiro permanecia fechada como um cofre. Bateu apenas uma vez.
— Entre. — a voz grave ecoou lá de dentro.
Augusto estava atrás da mesa, o olhar fixo em relatórios que não lia de verdade. Ao ver Cláudia, ergueu os olhos verdes, mas não esboçou sorriso.
— Precisamos conversar. — disse ela, sem rodeios.
Ele recostou-se na cadeira.
— Imagino que seja sobre a sua protegida… a tal Eloise.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...