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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 113

Fissuras na Mentira

A cabeça latejava como se um martelo batesse em seu crânio.

Augusto Monteiro abriu os olhos devagar, apenas para ser ofuscado pela claridade que entrava pelas frestas da cortina. O corpo pesado, o paletó jogado no chão, a garrafa de whisky vazia sobre a mesa de centro… e ele, largado no sofá, como um derrotado qualquer.

Levou a mão à têmpora, apertando com força. A dor não vinha só da ressaca — vinha da lembrança que queimava por dentro.

Os olhos dela.

Aqueles olhos castanhos marejados, que ele jamais esqueceria.

O momento em que Eloise o viu com a mão na cintura de Thamires.

A dor crua estampada no rosto dela era o reflexo perfeito da dor que ele mesmo carregava no peito.

— Merda… — rosnou baixo, passando as mãos pelo rosto.

Precisava parar com aquilo. Precisava sair desse ciclo de autodestruição. Não era esse o homem que ele tinha prometido a si mesmo ser.

Ele era Augusto Monteiro.

O implacável.

O nome que o mercado temia, o homem que nunca hesitava, que nunca fraquejava.

Não podia continuar permitindo que uma mulher — ou a lembrança dela — o desmontasse daquela forma.

Ainda mais depois de jurar que nunca mais confiaria em nenhuma.

Mas a verdade era cruel.

Não existiria outra como Eloise.

Nenhuma teria aquele jeito de ser inteira e doce ao mesmo tempo, ousada na língua afiada e tímida quando ele menos esperava.

Nenhuma mulher jamais o encarara de frente como ela. Nenhuma tinha conseguido atravessar todas as suas barreiras e se instalar onde ele menos queria: no coração.

Augusto fechou os olhos com força, como se isso pudesse expulsar a imagem dela. Mas bastava um segundo de silêncio para que o sorriso dela, a voz dela, a lembrança dela o invadissem de novo.

E a cada vez, a ferida se abria mais.

A ressaca era só um detalhe.

O verdadeiro veneno era a saudade.

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O escritório de Thomas Alves estava mergulhado em penumbra, iluminado apenas pela tela azulada do computador.

Arquivos pesados piscavam na tela, linhas de código e detalhes de metadados passando diante de seus olhos atentos.

Thiago, inquieto, caminhava de um lado para o outro.

— E então? — a voz dele estava carregada de urgência. — Me diz que tem alguma coisa.

Thomas não respondeu de imediato. Levou mais alguns segundos antes de se inclinar para frente, ajustando os óculos.

— Olha isso. — apontou para a tela.

Thiago se aproximou. A imagem parada do vídeo mostrava Eloise empurrando o envelope pela mesa. Mas o que Thomas indicava não era o gesto em si, e sim… algo por trás.

— O reflexo. — explicou, a voz grave. — Aqui, no vidro da parede. Se ampliar… — ele digitou algumas teclas rápidas, e a imagem estourou em pixels borrados, até formar um vulto. Uma silhueta feminina, diferente de Eloise.

Thiago franziu o cenho.

Thiago se inclinou sobre a mesa, a expressão dura.

— Então consegue mais. O tempo está acabando, Thomas. Eu preciso dessas provas antes que o Augusto destrua completamente a vida dela.

Thomas assentiu, os olhos frios refletindo a tela.

— Vou cavar mais fundo. Mas já adianto: esse jogo está ficando mais sujo do que eu pensei.

Thiago respirou fundo, o coração martelando no peito.

Pela primeira vez em dias, sentia que a verdade estava mais perto.

Mas também sabia: se alguém ousou mexer no vídeo, não mediria esforços para apagar as provas — ou qualquer pessoa que chegasse perto demais.

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Cláudia estacionou diante da Monteiro Corp e entrou com passos firmes. O salto ecoava no mármore, cada batida carregada de propósito. O semblante dela era sereno, mas por dentro queimava a indignação.

Ela não iria descansar até encontrar Eloise — e cobrar de Augusto a injustiça que ele havia cometido.

Subiu até o último andar, onde a porta do escritório de Augusto Monteiro permanecia fechada como um cofre. Bateu apenas uma vez.

— Entre. — a voz grave ecoou lá de dentro.

Augusto estava atrás da mesa, o olhar fixo em relatórios que não lia de verdade. Ao ver Cláudia, ergueu os olhos verdes, mas não esboçou sorriso.

— Precisamos conversar. — disse ela, sem rodeios.

Ele recostou-se na cadeira.

— Imagino que seja sobre a sua protegida… a tal Eloise.

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